A série Brasil 70: Rumo ao Tri, da Netflix, resgata a histórica conquista da Copa do Mundo de 1970. Entretanto, a produção vai além dos gramados e explora o contexto político autoritário vivido pelo país durante a ditadura militar.
Naquele período, o Brasil enfrentava anos de forte repressão política, censura à imprensa e perseguição a opositores do regime. Enquanto isso, o governo buscava utilizar o sucesso da Seleção Brasileira como instrumento de propaganda nacional.
Nesse cenário, a série destaca os bastidores da relação entre futebol e poder. Além disso, mostra como o governo militar tentou associar a imagem da equipe ao projeto político conduzido pelos generais.
Demissão de Saldanha
Um dos episódios mais marcantes envolve a demissão do técnico João Saldanha. Comunista assumido e crítico do regime, ele classificou a Seleção para a Copa, porém deixou o comando poucos meses antes do torneio.
Embora divergências técnicas fossem apontadas oficialmente, a saída de Saldanha gerou questionamentos. Consequentemente, muitos analistas associaram sua demissão às pressões políticas exercidas durante a ditadura.
Após deixar a comissão técnica, Saldanha passou a atuar como comentarista esportivo. Dessa forma, acompanhou a campanha brasileira do outro lado dos microfones, analisando uma equipe que ajudou a construir.
Sob o comando de Mário Zagallo, o Brasil conquistou o tricampeonato mundial com um futebol considerado revolucionário. Ainda assim, a vitória ocorreu em meio a um ambiente político marcado pela falta de liberdades democráticas.
A série também ajuda o público a compreender como o futebol refletiu as tensões políticas e sociais daquele momento.
Ao revisitar a campanha do tricampeonato, Brasil 70: Rumo ao Tri mostra que a história da Seleção Brasileira não pode ser separada do contexto da ditadura. Assim, a produção oferece uma análise crítica de um dos períodos mais complexos do país.



