
Centrais sindicais na Marcha pelo fim da escala 6×1 e redução da jornada, em abril de 2026. Crédito: Sintrabor.
A aprovação, pela Câmara dos Deputados, da proposta que reduz a jornada semanal de trabalho e põe fim à escala 6×1 foi comemorada por dirigentes das principais Centrais Sindicais do país. As lideranças classificaram a votação como uma conquista histórica da classe trabalhadora, mas ressaltaram que a mobilização seguirá intensa para garantir a aprovação definitiva da proposta no Senado Federal.
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Coleta de assinaturas
Em vídeo divulgado nesta quinta (28), presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, destacou a importância da vitória alcançada na Câmara e lembrou o papel desempenhado pelo movimento sindical durante toda a campanha.
“Conquistamos na Câmara Federal o fim da jornada 6×1 e a redução para 40 horas. Agora precisamos dar continuidade à luta no Senado para consolidar essa vitória”, afirmou.
Patah ressaltou que a UGT promoveu mobilizações em todo o país, com campanhas de conscientização, coleta de assinaturas e divulgação da proposta em defesa de jornadas mais humanas.
A batalha continua
O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, também celebrou, em suas redes sociais, o resultado, mas alertou que a batalha ainda não terminou.
“Não podemos nos desmobilizar. Ganhamos uma parte importante da batalha, mas agora precisamos garantir o mesmo texto no Senado Federal”, disse.
Segundo Miguel Torres, sindicatos e Centrais Sindicais devem intensificar o diálogo com os senadores nos estados para evitar mudanças que possam descaracterizar a proposta aprovada pela Câmara.
Processo histórico
Já o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo, relacionou a conquista a um processo histórico de evolução das relações de trabalho.
“Há um século, Henry Ford percebeu que o trabalho à exaustão prejudicava a produtividade e instituiu a escala 5×2. Cem anos depois, vemos essa discussão avançar no Brasil”, observou.
Para Adilson, o fim da escala 6×1 representa um avanço civilizatório.
“O fim da escala 6×1 é algo a ser celebrado. Isso ajuda o Brasil a se projetar como um país mais humano e menos desigual”, declarou.
Vida, saúde, convivência
Representando a Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), o dirigente Marcelo Belmudes destacou que a redução da jornada atende a uma demanda histórica dos trabalhadores por melhores condições de vida.
“O povo trabalhador brasileiro cansou de viver apenas para trabalhar. Cansou de jornadas exaustivas, da falta de tempo para a família, para estudar, descansar e viver com dignidade”, afirmou.
Belmudes ressaltou que a proposta aprovada representa um avanço histórico ao garantir a redução da jornada sem redução salarial.
“Não estamos falando apenas de horas de trabalho. Estamos falando de vida, de saúde, de convivência familiar e de oportunidades para milhões de trabalhadores brasileiros”, disse.
O dirigente da CSB também destacou que experiências internacionais demonstram que jornadas menores contribuem para aumentar a produtividade, reduzir o adoecimento e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.
Senado
As lideranças sindicais avaliam que a aprovação da proposta na Câmara representa uma das maiores conquistas trabalhistas das últimas décadas.
Agora, o foco das Centrais está voltado para a tramitação no Senado Federal, onde a proposta precisará ser aprovada para que a redução da jornada e o fim da escala 6×1 se tornem realidade para milhões de trabalhadores brasileiros.
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