PUBLICADO EM 28 de maio de 2026

Centrais Sindicais celebram aprovação da jornada de 40 horas na Câmara. Agora o foco é o Senado

Comemorações das Centrais Sindicais pela aprovação da jornada de 40 horas. Veja os impactos da medida e os próximos passos.

Centrais sindicais intensificam articulação na Câmara para defender o fim da escala 6x1 e enfrentar a pressão empresarial. Foto: Marcha das Centrais em 15 de abril de 2026. Crédito: Sintrabor.

Centrais sindicais na Marcha pelo fim da escala 6×1 e redução da jornada, em abril de 2026. Crédito: Sintrabor.

A aprovação, pela Câmara dos Deputados, da proposta que reduz a jornada semanal de trabalho e põe fim à escala 6×1 foi comemorada por dirigentes das principais Centrais Sindicais do país. As lideranças classificaram a votação como uma conquista histórica da classe trabalhadora, mas ressaltaram que a mobilização seguirá intensa para garantir a aprovação definitiva da proposta no Senado Federal.

Leia também:

A maior vitória desde 1988

Coleta de assinaturas

Em vídeo divulgado nesta quinta (28), presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, destacou a importância da vitória alcançada na Câmara e lembrou o papel desempenhado pelo movimento sindical durante toda a campanha.

“Conquistamos na Câmara Federal o fim da jornada 6×1 e a redução para 40 horas. Agora precisamos dar continuidade à luta no Senado para consolidar essa vitória”, afirmou.

Patah ressaltou que a UGT promoveu mobilizações em todo o país, com campanhas de conscientização, coleta de assinaturas e divulgação da proposta em defesa de jornadas mais humanas.

A batalha continua

O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, também celebrou, em suas redes sociais, o resultado, mas alertou que a batalha ainda não terminou.

“Não podemos nos desmobilizar. Ganhamos uma parte importante da batalha, mas agora precisamos garantir o mesmo texto no Senado Federal”, disse.

Segundo Miguel Torres, sindicatos e Centrais Sindicais devem intensificar o diálogo com os senadores nos estados para evitar mudanças que possam descaracterizar a proposta aprovada pela Câmara.

Processo histórico

Já o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo, relacionou a conquista a um processo histórico de evolução das relações de trabalho.

“Há um século, Henry Ford percebeu que o trabalho à exaustão prejudicava a produtividade e instituiu a escala 5×2. Cem anos depois, vemos essa discussão avançar no Brasil”, observou.

Para Adilson, o fim da escala 6×1 representa um avanço civilizatório.

“O fim da escala 6×1 é algo a ser celebrado. Isso ajuda o Brasil a se projetar como um país mais humano e menos desigual”, declarou.

Vida, saúde, convivência

Representando a Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), o dirigente Marcelo Belmudes destacou que a redução da jornada atende a uma demanda histórica dos trabalhadores por melhores condições de vida.

“O povo trabalhador brasileiro cansou de viver apenas para trabalhar. Cansou de jornadas exaustivas, da falta de tempo para a família, para estudar, descansar e viver com dignidade”, afirmou.

Belmudes ressaltou que a proposta aprovada representa um avanço histórico ao garantir a redução da jornada sem redução salarial.

“Não estamos falando apenas de horas de trabalho. Estamos falando de vida, de saúde, de convivência familiar e de oportunidades para milhões de trabalhadores brasileiros”, disse.

O dirigente da CSB também destacou que experiências internacionais demonstram que jornadas menores contribuem para aumentar a produtividade, reduzir o adoecimento e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.

Senado

As lideranças sindicais avaliam que a aprovação da proposta na Câmara representa uma das maiores conquistas trabalhistas das últimas décadas.

Agora, o foco das Centrais está voltado para a tramitação no Senado Federal, onde a proposta precisará ser aprovada para que a redução da jornada e o fim da escala 6×1 se tornem realidade para milhões de trabalhadores brasileiros.

Leia também:

Com taxa de 5,8%, desemprego continua baixo

Com taxa de apenas 5,8%, desemprego no trimestre permanece baixo

COLUNISTAS

QUENTINHAS