PUBLICADO EM 28 de maio de 2026

Com taxa de apenas 5,8%, desemprego no trimestre permanece baixo

Apesar da flutuação natural de início de ano puxada pela dispensa em Comércio e Serviços, massa salarial recorde e recuo na informalidade sinalizam resiliência estrutural da atividade econômica no país.

Construção civil foi um setor responsável pela manutenção da taxa de desemprego baixa

Construção civil foi um setor responsável pela manutenção da taxa de desemprego baixa

A taxa de desocupação no Brasil registrou uma elevação natural e esperada no trimestre encerrado em abril de 2026, atingindo o patamar de 5,8%. De acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Mensal, divulgada hoje (28) pelo IBGE, o contingente de desocupados totalizou 6,3 milhões de pessoas. Isso representa um acréscimo de 471 mil indivíduos que buscaram trabalho sem sucesso na comparação com o trimestre encerrado em março.

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Contudo, analistas apontam que a alta reflete um movimento conjuntural cíclico e que os fundamentos macroeconômicos do emprego continuam sólidos. O mercado de trabalho não apenas absorveu o impacto mantendo taxas historicamente baixas, mas também consolidou avanços na qualidade das vagas e no rendimento real dos trabalhadores.

A Dinâmica Setorial: O que puxou e o que sustentou o mercado

O movimento de alta na desocupação deste trimestre é explicado majoritariamente por dinâmicas de sazonalidade. Setores fortemente impulsionados pelas festividades e contratações temporárias do encerramento de 2025 realizaram seus desligamentos tradicionais no primeiro quadrimestre do ano, pressionando temporariamente os índices.

  • Setores que puxaram a elevação (Sazonalidade Negativa): O segmento de Comércio e os Serviços Pessoais foram os grandes responsáveis pela dispensa de trabalhadores temporários não retidos após o aquecimento do final do ano. Adicionalmente, o grupo classificado como Outros Serviços registrou uma redução líquida expressiva de 162 mil postos de trabalho no trimestre móvel.

  • Setores que garantiram a manutenção (Sustentação): Os demais grandes agregados da atividade econômica — como a Indústria, Construção Civil e Agropecuária — exibiram estabilidade estatística nas contratações, impedindo uma deterioração mais acentuada dos indicadores de ocupação e preservando a base de postos gerados no ano anterior.

“O aumento da desocupação nesse trimestre móvel decorre essencialmente de comportamento sazonal de algumas atividades, tais como comércio e serviços pessoais que, após aquecimento no final de 2025, não retêm parcela de seus trabalhadores”, explicou a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy.

Mesmo com a redução trimestral, o cenário de longo prazo é positivo: “Embora registrando perda de ocupação na comparação trimestral, o mercado de trabalho segue com elevado nível da ocupação quando comparado com anos anteriores da série histórica. Isso indica que mesmo diante do recuo sazonal, a geração de trabalho e renda se mantém sustentada”, complementa Beringuy.

Nível de Ocupação e Preservação de Renda em Patamar Recorde

A população ocupada total foi estimada em 102,3 milhões de pessoas, recuando 0,3% (menos 338 mil postos) frente ao trimestre móvel imediatamente anterior. Por outro lado, quando confrontado com o mesmo período de 2025, o mercado exibe expansão firme de 1,1%, o que significa um ganho estrutural de 1,07 milhão de cidadãos inseridos no mercado de trabalho em doze meses.

O nível da ocupação fixou-se em 58,4% em abril de 2026, ligeiramente inferior aos 58,7% registrados no trimestre de novembro de 2025 a janeiro de 2026. Paralelamente, o rendimento real habitual de todos os trabalhos manteve-se no patamar recorde da série histórica, fixado em R$ 3.732, assegurando o poder de compra da população e sustentando a demanda interna por bens e serviços.

Em termos de posições de trabalho, o mercado demonstrou resiliência com estabilidade em todas as categorias perante o trimestre anterior. Entre os empregados no setor privado, 39,3 milhões trabalhavam com carteira assinada e 13,3 milhões atuavam sem carteira. O setor doméstico contabilizou 1,3 milhão de trabalhadores com carteira e 4,1 milhões sem. O país registrou ainda 26,0 milhões de trabalhadores por conta própria, 4,2 milhões de empregadores e 12,9 milhões de servidores no setor público.

Melhora Estrutural: Subutilização Estável e Queda na Informalidade

As análises qualitativas trazem os dados mais estruturais e animadores da rodada. A taxa de informalidade apresentou retração, caindo de 37,5% (38,5 milhões de informais) no trimestre finalizado em janeiro para 37,2% (38,1 milhões) no período atual — um sinal nítido de formalização. No mesmo período em 2025, a informalidade era superior, registrando 38,0%. Também houve redução importante no contingente de subocupados por insuficiência de horas (4,2 milhões), apresentando queda de 5,5% no trimestre e recuo de 7,3% no ano.

Do mesmo modo, a taxa composta de subutilização da força de trabalho permaneceu estável em 13,8% (15,7 milhões de pessoas), mas desabou significativamente na comparação anual frente aos 15,4% medidos em 2025 (menos 2 milhões de pessoas subutilizadas).

O contingente de desalentados (2,6 milhões de indivíduos) e o percentual de desalentados (2,3%) mantiveram-se estáveis no curto prazo, porém registram quedas expressivas de 15,3% (menos 464 mil pessoas) e 0,4 p.p. respectivamente no confronto anual, chancelando a manutenção da confiança e da solidez do trabalhador brasileiro perante a economia atual.

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