PUBLICADO EM 03 de set de 2026

Centrais comemoram avanço da PEC do fim da escala 6×1 e intensificam mobilização para o plenário

A proposta do fim da escala 6×1 avança no Senado. Entenda a mobilização para garantir a aprovação da PEC 221/2019.

Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) realiza reunião para analisar a PEC do fim da escala 6x1 dia 3 de setembro de 2026. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) realiza reunião para analisar a PEC do fim da escala 6×1 dia 3 de setembro de 2026. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Miguel Torres, Sergio Nobre e Ricardo Patah defendem pressão nos estados, nas redes sociais e nas ruas para garantir a aprovação da proposta.

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Após a aprovação do texto-base da PEC 221/2019 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, por 23 votos a 4, os presidentes das centrais sindicais defenderam, nesta quinta-feira (3), a intensificação da mobilização pela votação no plenário. A proposta prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada para 40 horas semanais, sem redução salarial.

Os dirigentes comemoraram o resultado, mas alertaram para a resistência de setores empresariais e parlamentares. A estratégia é ampliar a cobrança sobre os senadores também em suas bases eleitorais.

Miguel Torres: “Não podemos morrer na praia”

O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, que passou a semana em Brasília conversando com senadores, classificou a aprovação na CCJ como uma “vitória inédita”. Entretanto, criticou o esvaziamento da sessão de quarta-feira (2), que, segundo ele, impediu a votação imediata no plenário.

“Os senadores fizeram uma retirada estratégica a pedido, principalmente, do senador Flávio Bolsonaro. Mas o presidente Alcolumbre poderia sim ter colocado na pauta”, afirmou.

Torres contestou a perspectiva de deixar a votação para depois das eleições e convocou os trabalhadores a cobrar os parlamentares a partir deste fim de semana, com atenção especial ao Amapá, estado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

“Vamos denunciar aquele que é contra. Vamos falar para ele: você é inimigo do trabalhador e da trabalhadora”, declarou. “Não podemos fazer tudo o que fizemos e morrer na praia.”

Ricardo Patah: “Precisamos de tempo para viver”

Para o presidente da UGT, Ricardo Patah, a redução da jornada responde a uma reivindicação histórica, especialmente dos trabalhadores do comércio e dos serviços.

“A vida toda [a escala 6×1] nos fez não ter tempo para nada. Precisamos de tempo para viver, para o lazer, para se qualificar”, destacou.

Patah avaliou que a pauta ganhou força com o apoio do governo Lula e defendeu o aproveitamento do período eleitoral para ampliar o diálogo e a pressão sobre os parlamentares.

“Eles [os senadores] são muito mais sensíveis agora por conta das eleições”, afirmou. O dirigente convocou os trabalhadores a procurar os senadores em seus estados e em Brasília para cobrar a aprovação definitiva da jornada de 40 horas.

Sergio Nobre: votação ainda em setembro

O presidente da CUT, Sergio Nobre, definiu o resultado na comissão como uma “vitória estrondosa”, mas apontou a articulação empresarial e da oposição como obstáculo ao avanço da proposta.

“Era para ter ido ao plenário ontem e não foi porque os empresários estavam lá em peso, articulados com o senador Rogério Marinho e a campanha de Flávio Bolsonaro”, afirmou. “Temos que derrotar nas eleições esse povo que é contra os trabalhadores.”

Nobre estabeleceu como objetivo a aprovação no plenário ainda em setembro e anunciou uma reunião dos presidentes das centrais para definir os próximos passos. Ele defendeu atuação em três frentes: contato direto com senadores nos estados, campanha nas redes sociais e mobilizações de rua, como as realizadas na Avenida Paulista.

Centrais se reúnem nesta sexta para definir próximos passos

Força Sindical, CUT, UGT, CTB, CSB e Nova Central devem se reunir nesta sexta-feira (4) para alinhar as próximas ações pela aprovação do fim da escala 6×1 e da jornada de 40 horas semanais, sem redução salarial. O encontro buscará organizar a atuação conjunta nas bases eleitorais dos senadores, nas redes sociais e nas ruas, ampliando a participação dos trabalhadores na cobrança pela votação no plenário. Após a conquista na CCJ, o objetivo é manter a mobilização para evitar adiamentos e transformar o avanço na comissão em um direito efetivo para a classe trabalhadora.

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