PUBLICADO EM 13 de ago de 2026

Barreiras elevam desemprego entre jovens, aponta OIT

OIT alerta para aumento do desemprego juvenil, avanço da informalidade e impactos da inteligência artificial sobre oportunidades de trabalho

Barreiras elevam desemprego entre jovens, aponta OITO desemprego entre jovens aumentou mundialmente, segundo relatório da OIT, passando de 12,3% em 2024 para 12,4% em 2025, alcançando 67 milhões de pessoas jovens.

Além disso, o levantamento aponta que as taxas de desemprego juvenil cresceram em oito das 11 sub-regiões analisadas entre os anos de 2023 e 2025.

Segundo a OIT, desaceleração econômica, baixa criação de empregos, tensões geopolíticas e rápidas transformações tecnológicas ampliam obstáculos enfrentados pelos jovens na busca por trabalho digno.

Para Eesha Moitra, especialista da OIT, governos precisam combinar criação de vagas com investimentos em qualificação, direitos, proteção social e uso responsável da tecnologia disponível.

Enquanto isso, 257 milhões de jovens não trabalham, estudam ou participam de formação profissional, contingente equivalente a um em cada cinco jovens no mundo atualmente.

Mulheres jovens

Entre as mulheres jovens, entretanto, essa situação alcançou 27,4% em 2025, percentual superior ao dobro dos 13,1% registrados entre os homens jovens no mesmo período.

Na América Latina, por outro lado, o desemprego juvenil caiu 1,4 ponto percentual, chegando a 11,9% em 2025, impulsionado principalmente por Brasil, Colômbia e México.

Entre países lusófonos, Angola registrou 17,6%, Portugal 13,1%, Moçambique 10,9% e Brasil 10,5%, enquanto São Tomé e Príncipe apresentou 6,9% no levantamento oficial da OIT.

Guiné-Bissau e Timor-Leste registraram, por sua vez, desemprego juvenil de 3,2%, considerando trabalhadores com todos os níveis de escolaridade analisados pelo relatório internacional da OIT.

Segundo Gilbert Houngbo, diretor-geral da OIT, “uma geração que não consegue encontrar trabalho decente não pode construir seu futuro com confiança”, diante do cenário global.

Além disso, Houngbo afirma que excluir jovens dos empregos de qualidade reduz talentos, produtividade e coesão social, prejudicando economias nacionais e perspectivas futuras de desenvolvimento.

Qualificação intermediária

O relatório também alerta para redução de empregos com qualificação intermediária, utilizados como portas de entrada para jovens iniciarem trajetórias profissionais estáveis no mercado formal.

Assim, diminuem oportunidades em funções administrativas, escritórios, serviços e vendas, enquanto crescem dificuldades para jovens encontrarem ocupações capazes de oferecer estabilidade e perspectivas profissionais duradouras.

Na América do Norte, desemprego juvenil avançou de 8,3% em 2023 para 9,8% em 2025, enquanto regiões europeias mantiveram taxa elevada de 15% no período.

Já nos países em desenvolvimento, baixas taxas de desemprego escondem insegurança, pois muitos jovens ingressam em ocupações informais, precárias ou instáveis para garantir alguma renda.

Informalidade

Quase nove em cada dez jovens de 15 a 29 anos estão na informalidade em países de baixa e média renda, segundo levantamento da OIT.

Paralelamente, avanços tecnológicos e inteligência artificial transformam oportunidades profissionais, com 6,1% dos empregos juvenis concentrados em ocupações altamente expostas às mudanças relacionadas à IA atualmente.

Apesar disso, ocupações técnicas baseadas no conhecimento ampliam oportunidades, especialmente nas áreas de ciência, saúde e engenharia, que mantêm demanda crescente por jovens profissionais qualificados.

Por fim, a OIT recomenda políticas humanas para governança da inteligência artificial, buscando transformar inovação em oportunidades e impedir aprofundamento de desigualdades entre jovens trabalhadores.

O organismo também propõe investimentos em educação de qualidade, aprendizagem permanente, formação profissional, serviços de emprego e instituições capazes de apoiar transições juvenis ao mercado.

Além disso, o relatório recomenda atenção especial às mulheres jovens, fortalecendo direitos e proteção para ampliar oportunidades, reduzir desigualdades e garantir empregos dignos nessa fase.

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