PUBLICADO EM 29 de abr de 2026

Banco Central reduz a taxa de juros Selic para 14,5% ao ano

Banco Central/Foto Rafa Neddermeyer/Agencia Brasil

O Banco Central do Brasil decidiu reduzir a taxa básica de juros da economia, a Selic, para 14,5% ao ano. A medida foi tomada por unanimidade pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e marca o segundo corte consecutivo após um longo período de estabilidade no maior patamar em quase duas décadas.

Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic permaneceu em 15% ao ano. A retomada do ciclo de redução ocorre em um cenário de desaceleração da inflação, embora fatores externos, como a guerra no Oriente Médio, ainda pressionem os preços de combustíveis e alimentos, impondo desafios adicionais à política monetária.

Inflação segue como foco

A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em abril, a prévia da inflação oficial, o IPCA-15, registrou alta de 0,89%, acumulando 4,37% em 12 meses — patamar próximo ao teto da meta.

Pelo sistema de meta contínua, em vigor desde 2025, o objetivo é manter a inflação em 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. A aferição é feita mensalmente com base no acumulado de 12 meses, o que amplia o monitoramento ao longo do tempo.

Apesar da leve melhora recente, as projeções seguem pressionadas. O próprio Banco Central elevou sua estimativa de inflação para 2026, enquanto o mercado financeiro, segundo o boletim Focus, prevê índice de 4,86%, acima do teto da meta.

Impacto na economia

A redução da Selic tende a estimular a atividade econômica ao tornar o crédito mais barato, incentivando o consumo e os investimentos. Por outro lado, o corte de juros pode dificultar o controle inflacionário, exigindo cautela da autoridade monetária.

O Banco Central projeta crescimento de 1,6% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. Já o mercado estima uma expansão ligeiramente maior, de 1,85%.

Copom opera com desfalques

A decisão desta reunião ocorreu em meio a mudanças na composição da diretoria do Banco Central. Os mandatos de dois diretores se encerraram no fim de 2025, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não encaminhou ao Congresso os nomes para substituição.

Além disso, um dos diretores se ausentou da reunião por motivo pessoal, reduzindo temporariamente o número de participantes nas deliberações.

Equilíbrio entre crescimento e inflação

Ao reduzir a taxa básica, o Banco Central busca equilibrar o estímulo à economia com a necessidade de manter a inflação sob controle. O movimento indica confiança moderada no comportamento dos preços, mas também sinaliza atenção aos riscos externos e às expectativas do mercado.

A trajetória da Selic nos próximos meses dependerá, sobretudo, da evolução da inflação, do cenário internacional e da estabilidade cambial.

Com Agência Brasil

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