PUBLICADO EM 18 de maio de 2026

Nos EUA, Trump e sua equipe desprezam endividamento popular

O endividamento popular afeta a economia e a dependência de cartões de crédito na vida cotidiana nos EUA.

o endividamento popular e a relação entre a falta de dinheiro e o uso de cartões de crédito no Brasil.

o endividamento popular e a relação entre a falta de dinheiro e o uso de cartões de crédito no Brasil.

Por John Wojcik

Altos funcionários da Casa Branca estão afirmando que o uso “nas alturas” de cartões de crédito pelos consumidores é um sinal de uma economia saudável. Milhões de pessoas que usam esses cartões todos os dias sabem, porém, que o que impulsiona essa dependência do crédito são os altos custos e a falta de dinheiro em espécie para pagá-los.

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Em meio a uma semana em que o presidente continuou dizendo aos americanos aquilo que eles sabem ser mentiras sobre sua guerra contra o Irã e se gabando do salão de baile multibilionário que os contribuintes estão pagando, seu diretor econômico nacional, Kevin Hassett, declarou que não há motivo para preocupação.

Uso do cartão para itens básicos

Hassett disse corretamente na semana passada que os gastos com cartão de crédito estão “nas alturas” nos EUA, incluindo despesas com gasolina e outros bens básicos, e então afirmou falsamente que isso demonstra uma economia “muito, muito forte”.

A realidade é que as pessoas estão usando seus cartões de crédito para comprar os itens mais essenciais. Uma mulher em uma lavanderia automática em Erie, Pensilvânia, no sábado, pagou sua lavagem passando um cartão de crédito na máquina. Depois, perguntou a outra cliente se poderia emprestar o cartão dela para pagar a secagem das roupas.

Num posto de gasolina da mesma cidade, mais tarde naquele dia, um homem reclamou ao ler o aviso na bomba: “O combustível abastecido aqui agora contém 15% de etanol.”

“Estamos pagando US$ 4,54 por uma gasolina que acaba mais rápido por causa do etanol”, disse ele ao homem abastecendo na bomba ao lado. Enquanto isso, no supermercado Wegman’s próximo dali uma única espiga de milho estava sendo vendida por 69 centavos de dólar.

O milho está se tornando um item de luxo à medida que cada vez mais dele é usado para compor o combustível que move os motores de combustão do país. Os preços de todos os produtos frescos naquele Wegman’s e na maioria dos outros supermercados estão subindo diariamente por causa do aumento no custo do combustível usado pelos caminhões que transportam os alimentos.

Como as pessoas estão usando seus cartões de crédito para pagar tudo — de mantimentos e combustível a lavanderia e produtos de limpeza — a dívida com cartão de crédito está realmente “nas alturas”.

Dívida do cartão segue aumentando

Ela já havia atingido US$ 1,28 trilhão no quarto trimestre de 2025, o que representava um aumento de 5,5% em relação a 2024. A taxa de crescimento da dívida de cartão de crédito continua aumentando tão rapidamente que estatísticos dentro e fora do governo estão tendo dificuldade em atualizar os números em tempo hábil.

Os dados sobre a situação desastrosa das contas de poupança também não parecem bons. Hassett e outros afirmam que a queda de 4% nas taxas de poupança este ano em comparação com o ano passado não é tão severa e demonstra, portanto, que as coisas não estão realmente tão ruins quanto os pessimistas afirmam.

“As pessoas estão otimistas em relação ao futuro”, nos dizem, “por isso não sentem necessidade de poupar tanto!”

O que a maioria dos consumidores percebe, porém, é que há um lado negativo nesse índice de 4% que Hassett não mencionou. A queda nas taxas de poupança que estamos vendo — ainda que não tão severa quanto poderia ser numa grande recessão ou depressão — indica que as pessoas hoje, mesmo aquelas que ainda têm alguma pequena reserva financeira, estão recorrendo ao endividamento em vez de usar dinheiro disponível para cobrir despesas. Elas fazem isso quando temem que as perspectivas de melhora econômica sejam pequenas. Esses temores acabam causando ainda mais danos à economia.

Afirmar que a economia é saudável apenas porque os gastos com cartão de crédito continuam é falso quando esses gastos são impulsionados pela dependência de dívidas, e não por dinheiro real disponível. Pessoas sem diploma em economia entendem isso. Aparentemente, altos funcionários do governo Trump não entendem.

Jovens são mais atingidos

Os jovens na faixa dos 20 e 30 anos são os mais atingidos pela crise dos cartões de crédito porque são os mais afetados pela combinação de baixos salários e pouca poupança.

A dificuldade para pagar as faturas do cartão é um mau sinal, no fim das contas, não apenas para os mais prejudicados, mas para toda a economia. Quando tempos difíceis atingem jovens, minorias e outros grupos com baixos salários e poucas economias, é apenas uma questão de tempo até que o problema se espalhe para os demais.

Os maiores varejistas já estão sentindo o aperto. O Walmart, por exemplo, afirma que seus clientes já reduziram gastos com itens como eletrônicos e estão comprando basicamente produtos essenciais. Os problemas no Walmart contribuíram para uma desaceleração nos gastos do varejo que já atingiu o país. Essa desaceleração é outro ponto que Hassett deixou de mencionar em sua avaliação otimista da economia de Trump.

Já em maio, sem precisar esperar pelos indicadores oficiais, está claro que os preços da gasolina nas bombas e sua relação com a guerra contra o Irã estão consolidando uma visão negativa da economia entre os americanos.

Os sentimentos que as pessoas expressam nos postos de gasolina e nas lojas são confirmados por pesquisas e medições profissionais. O Índice de Sentimento do Consumidor da Universidade de Michigan mostrou que apenas 46,3% acreditam que a economia irá melhorar em breve.

Os preços da gasolina subiram em média US$ 1,50 desde o início da guerra, segundo a AAA, e agora caminham para US$ 5,00 por galão em nível nacional. Na Califórnia, Oregon e vários outros estados, os preços já estão muito acima disso.

Portanto, enquanto você usa seu cartão para comprar gasolina ou qualquer outra necessidade básica que não consegue mais pagar à vista, lembre-se apenas de que está cumprindo seu dever patriótico de manter a economia rugindo e os bolsos dos bilionários cheios.

Continue gastando e, como diz a famosa canção: “Não se preocupe, seja feliz!”

Texto traduzido do People´s World por Luciana Cristina Ruy

John Wojcik é editor-chefe do People’s World.

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