PUBLICADO EM 04 de set de 2026

Trabalho por plataformas alcança 2 milhões no Brasil

Brasil tem 2 milhões de trabalhadores em plataformas digitais, com jornadas maiores, alta informalidade e baixa proteção previdenciária

Trabalho por plataformas alcança 2 milhões no Brasil

Entregadores por aplicativo no trabalho principal aumentaram 18,6% – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Em 2025, dois milhões de brasileiros trabalharam por meio de plataformas digitais de serviços, considerando atividades principais ou secundárias, segundo levantamento divulgado pelo IBGE nacional.

Esse contingente representava 1,9% das 102,4 milhões de pessoas ocupadas no país, enquanto 1,8 milhão tinha as plataformas como forma de trabalho no Brasil.

Além disso, o transporte de passageiros concentrou 1,2 milhão de trabalhadores, equivalentes a 58,9% do total de pessoas que utilizavam aplicativos para exercer atividades profissionais.

Na sequência, aplicativos de entrega reuniram 585 mil pessoas, enquanto plataformas destinadas à prestação de serviços gerais ou profissionais eram utilizadas por 313 mil trabalhadores.

Trabalho por plataformas cresce no país

Considerando somente a ocupação principal, o contingente de trabalhadores plataformizados cresceu 36,8% desde 2022 e avançou 9,1% em comparação com o ano de 2024 também.

Entre os entregadores por aplicativo, o crescimento alcançou 18,6% entre 2024 e 2025, elevando o contingente de 274 mil para 325 mil trabalhadores no país.

Por outro lado, os homens representavam 84,4% dos trabalhadores plataformizados, enquanto mulheres correspondiam a 15,6%, revelando forte diferença na composição desse mercado nacional de trabalho.

Além disso, trabalhadores entre 25 e 39 anos formavam 47% desse contingente, enquanto pessoas com ensino médio completo ou superior incompleto representavam 62,5% do total.

Jornada supera média dos demais trabalhadores

Os dados também mostram que trabalhadores plataformizados cumpriam, em média, 44,7 horas semanais, jornada 5,4 horas superior às 39,3 horas registradas entre demais ocupados privados.

Apesar disso, o rendimento mensal médio dos plataformizados atingiu R$ 3.147, praticamente igual aos R$ 3.148 recebidos pelos demais trabalhadores ocupados no setor privado brasileiro.

Entretanto, o rendimento médio por hora dos trabalhadores de plataformas ficou em R$ 16,20, valor 12% inferior aos R$ 18,40 recebidos pelos demais ocupados privados.

Informalidade alcança 72,1% dos trabalhadores

Outro indicador revela menor proteção previdenciária: apenas 34% dos trabalhadores plataformizados contribuíam para instituto oficial, diante de 63% registrados entre trabalhadores não plataformizados em 2025.

Da mesma forma, a informalidade atingia 72,1% dos trabalhadores por aplicativos, percentual significativamente superior aos 42,7% observados entre pessoas que não utilizavam plataformas digitais profissionalmente.

Entre os principais motivos para trabalhar por plataformas, 26,8% apontaram flexibilidade, enquanto 24,6% citaram dificuldade para encontrar outro emprego e 20,8% destacaram rendimentos maiores disponíveis.

Por fim, 62,7% trabalhavam exclusivamente por plataformas digitais, enquanto 62,5% utilizavam somente um aplicativo, demonstrando elevada dependência dessas ferramentas para obtenção de clientes e serviços.

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