
Márcio Ferreira em assembleia na Bridgestone: resistência dos trabalhadores após proposta considerada inaceitável.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Borracha (SINTRABOR), Márcio Ferreira, afirmou nesta quarta-feira (27) que os trabalhadores da Bridgestone não participarão de assembleia enquanto a empresa não apresentar uma proposta considerada “decente” pela categoria. A declaração foi feita durante assembleia realizada no estacionamento da fábrica.
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A Bridgestone propôs reduzir a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de R$ 14 mil para R$ 8 mil — enquanto a reivindicação dos trabalhadores é de R$ 15 mil. A empresa também teria sugerido adiar o reajuste referente à reposição inflacionária para janeiro e elevar o vale-compra em apenas R$ 20.
Segundo o dirigente, a proposta apresentada pela multinacional durante as negociações salariais “não tinha a mínima condição” de ser levada à votação.
“Enquanto a empresa não apresentar uma proposta decente, nós não vamos fazer assembleia nenhuma. Essa proposta é uma vergonha”, declarou Márcio Ferreira aos trabalhadores.
Má vontade da empresa
O sindicalista afirmou ainda que, em toda sua trajetória sindical iniciada em 1985, nunca presenciou uma negociação com tamanha “má vontade” por parte de uma empresa.
Segundo ele, já foram realizadas sete reuniões entre sindicato e empresa sem avanços significativos. O dirigente criticou a tentativa da empresa de transferir para os trabalhadores os impactos da crise enfrentada pelo setor de pneus.
“A Bridgestone quer resolver o problema financeiro dela nas costas de vocês”, afirmou.
Durante a fala, o presidente reconheceu as dificuldades financeiras enfrentadas pelos trabalhadores, mas reforçou que o sindicato não pretende colocar em votação uma proposta considerada insuficiente, temendo perdas históricas para a categoria.
“Se a gente perder isso agora, vamos levar pelo menos sete anos para recuperar o que tínhamos no ano passado”, disse.
Negociação
Márcio Ferreira também respondeu às críticas feitas nas redes sociais sobre a ausência de assembleias na fábrica.
“O sindicato não traz proposta porque não existe proposta digna para apresentar aos trabalhadores”, declarou.
Segundo ele, novas reuniões devem ocorrer na próxima semana e existe expectativa de que a empresa apresente melhorias, embora o sindicato avalie que os avanços ainda possam ser pequenos.
O dirigente informou ainda que medidas mais duras, como mobilizações, paralisações ou ações judiciais, poderão ser discutidas após o início da data-base da categoria, em 1º de junho.
Apesar do clima de tensão, o sindicato afirmou que a prioridade continua sendo a negociação.
“Enquanto não houver uma proposta decente, não vamos assinar acordo nem colocar nada em votação em assembleia”, concluiu o presidente do SINTRABOR.
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