PUBLICADO EM 16 de jul de 2026

Sintrabor destaca fortalecimento da organização sindical após atividade da IndustriALL

Diretores compartilham aprendizados da segunda etapa do projeto de fortalecimento sindical e reforçam desafios como terceirização, igualdade de gênero, inteligência artificial e negociação coletiva

O Sintrabor discute a organização sindical em evento. Aprenda sobre a importância da negociação coletiva para os trabalhadores.

O Sintrabor discute a organização sindical em evento. Aprenda sobre a importância da negociação coletiva para os trabalhadores.

A diretoria do Sintrabor promoveu uma edição especial da TV Sintrabor para apresentar aos trabalhadores os principais debates da segunda etapa do Projeto Fortalecimento Sindical de Organização para Negociação Coletiva da Reestruturação Produtiva, promovido pela IndustriALL Global Union. A formação ocorreu entre os dias 30 de junho e 2 de julho, em Santo André (SP), reunindo cerca de 25 dirigentes sindicais de diversos ramos da indústria brasileira.

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Participaram da conversa os diretores Bugiganga, Osenilda Alves e Eduardo Falamansa, sob mediação do assessor Valter Paixão (que ressaltou que os diretores são mais conhecidos pelos apelidos). O encontro deu continuidade à primeira etapa do projeto, realizada em abril, em Praia Grande (SP), e integra um programa de formação desenvolvido ao longo de três anos, com o objetivo de preparar lideranças sindicais para enfrentar os impactos das transformações no mundo do trabalho.

Na abertura da gravação, Valter explicou que o projeto busca fortalecer a organização sindical, ampliar a capacidade de negociação coletiva e construir estratégias diante da reestruturação produtiva, das novas tecnologias e das mudanças nas relações de trabalho.

Entre os temas discutidos durante a formação estiveram:

  • organização nos locais de trabalho,
  • sindicalização,
  • negociação coletiva,
  • transição justa,
  • impactos das mudanças produtivas sobre a população negra,
  • desigualdade de gênero e
  • planejamento da ação sindical.

Terceirização e trabalho informal preocupam sindicatos

O diretor Bugiganga destacou que a terceirização e o crescimento do trabalho informal representam hoje alguns dos maiores desafios enfrentados pelo movimento sindical.

Segundo ele, a expansão dessas formas de contratação tem provocado precarização das relações de trabalho, redução salarial e perda de direitos.

“O trabalhador informal corre diariamente o risco de sofrer um acidente sem contar com a proteção garantida pela CLT. Essa é uma preocupação de todos os sindicatos e exige uma atuação cada vez mais forte da organização sindical”, afirmou.

O dirigente explicou que durante a formação foram debatidas estratégias para ampliar a proteção aos trabalhadores por meio da negociação coletiva, incorporando cláusulas capazes de enfrentar os efeitos da terceirização e garantir melhores condições de trabalho.

Bugiganga também ressaltou a dimensão nacional do projeto, que reúne 156 dirigentes sindicais de diversas categorias industriais em todo o Brasil.

Igualdade de gênero exige mobilização permanente

Representando as mulheres da categoria, a diretora Osenilda Alves abordou os desafios enfrentados pelas trabalhadoras no mercado de trabalho.

Ela destacou que, apesar dos avanços conquistados nos últimos anos, ainda persistem diferenças salariais, dificuldades de acesso aos cargos de liderança e diversas formas de discriminação.

Segundo a dirigente, a situação é ainda mais difícil para as mulheres negras, que enfrentam simultaneamente o machismo e o racismo estrutural, além de estarem mais presentes em ocupações precárias e informais.

Ela ressaltou a importância da Lei da Igualdade Salarial, defendendo que sua efetiva aplicação seja acompanhada de políticas de inclusão e combate à discriminação.

Ao comentar a participação da dirigente no projeto, Valter destacou o crescimento da atuação feminina dentro do Sindicato e conclamou mais trabalhadoras a integrarem a organização sindical.

Ele também reforçou que a defesa dos direitos das mulheres passa pelo enfrentamento da misoginia, do feminicídio, do racismo e de todas as formas de exclusão social.

Inteligência artificial amplia desafios da negociação coletiva

Na sequência, o diretor Eduardo Falamansa falou sobre os impactos da reestruturação produtiva e da crescente automação nas indústrias.

Segundo ele, um dos pontos mais enriquecedores da formação foi a troca de experiências entre dirigentes de diferentes categorias, como metalúrgicos, químicos, sapateiros e trabalhadores da borracha.

Para Falamansa, compreender como cada categoria enfrenta os efeitos da inteligência artificial e da automação permite construir estratégias mais eficazes para proteger empregos e fortalecer a negociação coletiva.

O dirigente destacou que as mudanças tecnológicas já fazem parte da realidade das fábricas e exigem planejamento por parte dos sindicatos.

Outro tema enfatizado por Falamansa foi o crescimento da informalidade, que, segundo ele, representa uma preocupação também para o futuro da Previdência Social, já que trabalhadores sem contribuição comprometem a sustentabilidade do sistema.

Ele lembrou ainda que a participação dos dirigentes em cursos e seminários faz parte do compromisso permanente de qualificação para representar melhor a categoria.

“Muitas vezes os trabalhadores percebem nossa ausência na fábrica, mas estamos buscando conhecimento para fortalecer nossa atuação e defender ainda melhor os interesses da categoria da borracha”, afirmou.

Formação fortalece atuação sindical

Ao encerrar a conversa, Valter Paixão ressaltou que o investimento em formação sindical é fundamental diante das rápidas transformações no mundo do trabalho.

Segundo ele, além de acompanhar as mudanças tecnológicas e produtivas, os sindicatos precisam desenvolver capacidade de organização e negociação para garantir que a modernização da indústria não resulte em perda de direitos.

A segunda etapa do projeto reforçou que o fortalecimento da organização sindical, da negociação coletiva e da participação dos trabalhadores continua sendo um dos principais instrumentos para enfrentar os desafios impostos pela reestruturação produtiva e construir relações de trabalho mais justas e democráticas.

Veja aqui o programa da TV Sintrabor

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