PUBLICADO EM 30 de maio de 2026

Para Cláudio Janta, fim da escala 6×1 e redução da jornada geram empregos e melhoram a qualidade de vida

Dirigente sindical avalia como histórica a aprovação da proposta pelo fim da escala 6×1 na Câmara e acredita que mudança ajudará a reduzir a rotatividade no comércio

Fim escala 6x1 é uma vitória histórica para os trabalhadores. O comerciário Cláudio Janta comenta sobre os impactos dessa mudança. Foto: Câmara Municipal de Porto Alegre

Fim escala 6×1 é uma vitória histórica para os trabalhadores. O comerciário Cláudio Janta comenta sobre os impactos dessa mudança. Foto: Câmara Municipal de Porto Alegre

A aprovação da proposta que reduz a jornada de trabalho e põe fim à escala 6×1 foi recebida com entusiasmo pelo movimento sindical. Em entrevista à Rádio Guaíba, o secretário-geral do Sindicato dos Empregados no Comércio de Porto Alegre (Sindec-POA) e presidente da Força Sindical do Rio Grande do Sul, Cláudio Janta, classificou a votação na Câmara dos Deputados como uma vitória histórica para os trabalhadores brasileiros.

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Segundo ele, o resultado superou as expectativas do movimento sindical. Janta destacou o amplo apoio obtido pela proposta e atribuiu a conquista à mobilização conjunta de trabalhadores, sindicatos, centrais sindicais e do governo federal.

“Há um anseio da sociedade de ter mais tempo para viver, mais tempo para ficar com a família. As mães solo, as famílias atípicas e os trabalhadores em geral precisam de mais qualidade de vida”, afirmou.

O dirigente ressaltou também que diversos países já adotaram jornadas reduzidas e registraram melhorias na qualidade do trabalho, redução de doenças ocupacionais e diminuição do estresse entre os trabalhadores.

Senado será o próximo desafio

Após a aprovação na Câmara, a proposta seguirá para análise do Senado Federal. Janta reconheceu que a tramitação na Casa poderá ser mais difícil, mas afirmou que as entidades sindicais continuarão dialogando com os parlamentares.

“Vamos procurar os senadores do Rio Grande do Sul e levar argumentos sólidos para mostrar que a redução da jornada melhora a vida das pessoas, gera empregos e fortalece a economia”, declarou.

Ele também afirmou ter sido surpreendido pelo apoio de parte da bancada do PL à proposta durante a votação na Câmara, o que, na sua avaliação, demonstra que a pauta ultrapassa divisões partidárias e responde a uma demanda concreta da sociedade.

Comércio pode ser beneficiado

Ao contrário dos argumentos de que a redução da jornada provocaria demissões, o dirigente comerciário acredita que a medida poderá ajudar a combater a alta rotatividade e a dificuldade de contratação enfrentada atualmente pelo setor de comércio e serviços.

Segundo ele, pesquisas realizadas pelo sindicato indicam que muitos trabalhadores evitam vagas no setor devido às escalas de trabalho extensas e à dificuldade de conciliar a vida profissional com a familiar.

“Hoje muitas pessoas não querem trabalhar no comércio justamente por causa da escala. O trabalhador tem apenas um domingo por mês para ficar com a família. Isso afasta mão de obra do setor”, explicou.

Para o dirigente, a redução da jornada tende a aumentar a produtividade, reduzir faltas e fortalecer o vínculo dos trabalhadores com as empresas.

Experiências positivas reforçam defesa da proposta

Durante a entrevista, Janta citou experiências de empresas que já adotaram jornadas reduzidas, inclusive algumas com carga semanal inferior a 40 horas.

Segundo ele, os resultados apresentados mostram aumento da produtividade, melhora no cumprimento de metas e redução da rotatividade.

“Nós tivemos em uma audiência pública uma representante de cerca de 10 mil empresas do comércio e dos serviços que já fizeram a redução da jornada. Muitas delas reduziram para 36 horas semanais e registraram resultados impressionantes”, relatou.

Para o dirigente, trabalhadores mais descansados e com melhor qualidade de vida tendem a apresentar maior engajamento e desempenho profissional.

Adaptação será necessária

Embora defendesse uma implementação imediata das 40 horas semanais, Janta afirmou compreender o período de transição previsto na proposta.

“Nos forjamos na negociação. O ideal seriam as 40 horas imediatamente, mas entendemos a necessidade de adaptação, principalmente para as pequenas empresas”, afirmou.

Ele lembrou que o comércio já enfrentou desafios complexos nos últimos anos, como a pandemia de Covid-19 e as enchentes que atingiram Porto Alegre e diversas cidades gaúchas, e conseguiu se reorganizar.

“Na enchente, muitas empresas perderam tudo e conseguiram se reerguer. A resiliência dos trabalhadores e dos pequenos empreendedores vai permitir que essa adaptação também aconteça”, disse.

Trabalho aos domingos continuará existindo

Janta destacou ainda que a proposta não impede o funcionamento de atividades essenciais nem dos setores que tradicionalmente operam aos domingos, como comércio, saúde, segurança e comunicação.

Segundo ele, o objetivo é garantir que os trabalhadores tenham dois dias de descanso e mais tempo para conviver com suas famílias, preservando ao mesmo tempo a dinâmica das atividades econômicas.

“O importante é que as pessoas possam organizar sua vida familiar e ter mais tempo para viver com dignidade. Não somos máquinas. Precisamos de tempo para cuidar dos filhos, da saúde e da nossa convivência familiar”, concluiu.

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