PUBLICADO EM 15 de maio de 2026

Metalúrgicos de São José e luta por jornada menor e fim da escala 6×1

Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos intensifica mobilização pela jornada 4×3 e pelo fim da escala 6×1 nas fábricas da região

Metalúrgicos ampliam luta pelo fim da escala 6x1

Metalúrgicos ampliam luta pelo fim da escala 6×1

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos intensificou, nesta quarta-feira, a campanha pela redução da jornada e pelo fim da escala 6×1 nas fábricas regionais.

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Ampliando mobilizações entre trabalhadores metalúrgicos, a entidade realizou assembleias nas empresas:

  • Armco, em Jacareí;
  • Gerdau e Akaer, em São José dos Campos.

36 horas semanais

Durante as atividades, representantes sindicais distribuíram jornais temáticos e dialogaram com trabalhadores sobre mobilização nacional, às vésperas da votação do Projeto 1838/2026 no Congresso.

O projeto do governo federal prevê substituir a escala 6×1 pelo modelo 5×2, com jornada semanal de 40 horas, entretanto sem redução dos salários atuais.

Porém, o Sindicato considera a proposta insuficiente e defende imediatamente a implantação da escala 4×3, com jornada semanal de 36 horas, sem redução salarial.

De acordo com dirigentes sindicais, grande parte das fábricas metalúrgicas regionais já adota jornadas semanais de 40 horas, reduzindo impactos práticos previstos no projeto governamental.

Pejotização

O Sindicato também criticou a pejotização, modelo contratual que retira direitos trabalhistas enquanto mantém jornadas e exigências semelhantes aos empregados registrados formalmente.

O presidente da entidade, Weller Gonçalves, afirmou que trabalhadores precisam ampliar mobilizações nacionais para conquistar mudanças efetivas na jornada e combater exploração trabalhista crescente.

“Não podemos confiar apenas no parlamento para conquistar o fim da escala 6×1. Precisamos ampliar mobilizações e pressionar pela implementação imediata da escala 4×3”, declarou Weller.

Nos próximos dias, o Sindicato realizará novas assembleias nas empresas da região e encaminhará pautas reivindicatórias cobrando negociações imediatas sobre redução da jornada laboral.

Além das assembleias, a entidade organizará atividades públicas em São José dos Campos, Jacareí, Caçapava e Igaratá, fortalecendo debates populares sobre direitos trabalhistas atuais.

O Sindicato também produzirá materiais informativos explicando impactos negativos da escala 6×1 na saúde física, mental e qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros atualmente.

Dia D

O “Dia D” da mobilização ocorrerá em 27 de maio, reunindo trabalhadores e movimentos sociais em defesa da redução da jornada sem redução salarial nacional.

De acordo com pesquisa do Centro de Estudos Sindicais da Unicamp, a adoção da jornada 4×3 poderia gerar 4,5 milhões de empregos no Brasil.

Além disso, o levantamento aponta que aproximadamente 76 milhões de trabalhadores brasileiros seriam beneficiados diretamente pela redução da jornada semanal sem prejuízos econômicos relevantes nacionais.

Dirigentes sindicais criticaram discursos empresariais alarmistas sobre impactos econômicos da proposta e lembraram debates semelhantes ocorridos durante aprovação da jornada semanal constitucional vigente.

De acordo com o Sindicato, avanços tecnológicos e ganhos constantes de produtividade permitem reduzir jornadas atualmente sem comprometer produção industrial, empregos existentes ou atividades econômicas nacionais.

“Se trabalharmos menos horas, mais empregos serão criados. Nenhuma empresa fechará por isso. Exigimos mais vida, menos exploração e melhores condições trabalhistas”, concluiu Weller Gonçalves.

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