
Capa do Livro “Os miseráveis”, de Victor Hugo; editora Penguin Companhia
Por João Carlos Gonçalves, Juruna
Desde que retomei o hábito da leitura cotidiana, entre clássicos da literatura e obras fundamentais da história, tenho buscado compreender melhor o mundo em que vivemos. Nessa jornada, mergulhei em Os Miseráveis, de Victor Hugo — um monumental romance de mais de 1.500 páginas publicado em 1862.
Protagonismo dos invisíveis
A obra acompanha a trajetória de Jean Valjean, um ex-prisioneiro condenado por roubar pão para alimentar seus sobrinhos famintos.
A partir dessa história, o autor constrói um retrato da França pós-Revolução, revelando suas tensões políticas e sociais. O que mais impressiona não são os salões aristocráticos ou as figuras da nobreza, frequentemente romantizadas em narrativas de época, mas sim o protagonismo dos invisíveis: pobres, trabalhadores, crianças abandonadas, estudantes e insurgentes.
É esse universo marcado pela luta pela sobrevivência, pelas desigualdades e pelo desejo de transformação que sustenta a força da obra. A formação de um Estado ainda frágil convive com uma imensa população marginalizada: os verdadeiros “miseráveis” que dão nome ao livro.
Brasil contemporâneo
A leitura provoca um paralelo com o Brasil contemporâneo. Embora em outro contexto histórico, persistem aqui dinâmicas semelhantes de exclusão social, agravadas pela precarização do trabalho e pela insegurança cotidiana. Além das lutas sociais dos sindicatos e movimentos sociais. A distância entre direitos formais e a realidade vivida por milhões de pessoas expõe um cenário que dialoga, em muitos aspectos, com a tragédia social retratada por Victor Hugo.
Os Miseráveis segue atual justamente por isso: é uma narrativa envolvente, mas também um poderoso retrato das desigualdades e das lutas sociais. Uma leitura essencial para quem deseja compreender não apenas uma grande história, mas também as raízes profundas da injustiça social — ontem e hoje.
João Carlos Gonçalves, Juruna, metalúrgico, secretário geral da Força Sindical, ex-presidente do DIEESE, é leitor assíduo e interessado de literatura, livros históricos e biografias.
Leia também:



