PUBLICADO EM 09 de set de 2026

Trabalhadores dos Correios decidem nesta quinta sobre greve

Trabalhadores dos Correios realizam assembleias nesta quinta-feira (10) para decidir sobre greve e avaliar proposta de acordo coletivo

Trabalhadores dos Correios decidem nesta quinta sobre greveTrabalhadores dos Correios de todo o país realizam assembleias nesta quinta-feira, 10 de setembro, para decidir sobre possível greve nacional por tempo indeterminado na categoria.

A mobilização integra a Campanha Salarial e busca melhores salários, manutenção de direitos, defesa do plano de saúde e suspensão da reestruturação promovida pela empresa.

Nesse contexto, a CSP-Conlutas convoca os trabalhadores para participarem das assembleias e ampliarem a mobilização diante das propostas apresentadas pela direção dos Correios nacionalmente.

Plano de saúde preocupa trabalhadores

Entre as principais preocupações está o plano de saúde, pois a direção pretende deixar de assumir sua parcela de corresponsabilidade no custeio do benefício dos trabalhadores.

Sem o pagamento atualmente garantido pelos Correios à operadora, os trabalhadores poderão assumir integralmente os custos do convênio, aumentando descontos e comprometendo o atendimento médico oferecido.

“Na proposta da empresa tem um golpe que é a criação de um grupo de trabalho para discutir o tema, após a assinatura do acordo. Mas todos já percebemos que isso é para tirar o foco”, explica o ecetista Geraldinho Rodrigues, integrante da Executiva Nacional da CSP-Conlutas.

Categoria considera acordo insuficiente

Além disso, trabalhadores consideram insuficiente o acordo bianual apresentado durante reunião de conciliação realizada no Tribunal Superior do Trabalho, TST, na última sexta-feira, dia 4.

A proposta estabelece reajuste salarial de 4,35%, correspondente ao INPC, e estende a correção aos benefícios recebidos atualmente pelos trabalhadores da empresa em todo país.

Entretanto, o índice exclui funções gratificadas, funções de confiança e outras parcelas relacionadas ao exercício de função, cargo em comissão ou atividade profissional diferenciada atualmente.

Para o segundo ano, a direção propõe recompor a inflação acumulada durante o período, mantendo os mesmos critérios previstos para aplicação do reajuste no primeiro ano.

Assim, segundo os trabalhadores, a proposta impediria ganho real nos salários durante dois anos, enquanto a categoria reivindica avanços econômicos e valorização profissional nas negociações coletivas.

Proposta altera outros direitos

Outro ponto criticado envolve a retirada da cláusula que estabelece pagamento de 200% pelo repouso remunerado trabalhado, direito atualmente previsto no acordo coletivo da categoria.

Pela proposta apresentada, o repouso trabalhado passaria a valer somente 100%, abrindo possibilidade para mais convocações de trabalhadores durante domingos e feriados em todo país.

Além disso, os Correios pretendem retirar o ticket extra pago em dezembro, benefício histórico defendido pelos trabalhadores durante a greve realizada pela categoria em 2025.

Os trabalhadores argumentam que a retirada do benefício representa perda importante justamente durante dezembro, período marcado pelo aumento das despesas das famílias com compromissos tradicionais anuais.

Reestruturação também entra no debate

Paralelamente às negociações do acordo coletivo, trabalhadores defendem suspender a reestruturação dos Correios, processo que envolve fechamento de agências e unidades da empresa pelo país.

“Só na força da mobilização da Campanha Salarial é possível fazer essa exigência ao governo. Já a burocracia trabalha com outro encaminhamento. Acreditam que vão fazer isso dentro do Congresso Nacional”, explica.

“A reestruturação faz parte do acordo coletivo, nós temos que ir além de garantir que mantenha aquelas quatro cláusulas que estão no Supremo Tribunal Federal para serem julgadas, nós também queremos a suspensão da reestruturação”.

Dessa forma, Geraldinho defende que a Campanha Salarial incorpore diretamente a suspensão da reestruturação, além da manutenção das cláusulas que aguardam julgamento no Supremo Tribunal Federal.

Assembleias definirão mobilização

A CSP-Conlutas declarou apoio à mobilização e defendeu a construção de uma greve nacional para enfrentar as mudanças propostas pela direção da empresa durante esta Campanha Salarial.

“Infelizmente, ainda vemos parte dos dirigentes sindicais comprando a ideia da empresa e do governo, tentando dizer que houve avanço nas negociações. Todos deveriam se preocupar com a mobilização para construirmos uma grande luta para barrar todos esses ataques da direção da empresa e governo Lula”, afirma Geraldinho.

Portanto, as assembleias desta quinta-feira serão decisivas para definir os próximos passos da categoria diante das propostas econômicas, alterações nos direitos e reestruturação dos Correios nacionalmente.

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