
Manifestação pelo fim da escala 6×1 em Porto Alegre, agosto de 2026.
A notificação extrajudicial enviada pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) à Central Única dos Trabalhadores (CUT), em razão da plataforma de mobilização Na Pressão. pelo fim da escala 6×1, provocou críticas no movimento sindical. Ao Painel da Folha de S.Paulo, o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, questionou: “A censura já começou? É hora de reagir.”
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Segundo o Painel, a plataforma Na Pressão apresenta o posicionamento dos senadores sobre a proposta e permite que cidadãos enviem mensagens aos parlamentares ou os mencionem nas redes sociais. A campanha cobra a votação da proposta de emenda à Constituição antes do segundo turno das eleições.

Clque na imagem e dê sua opinião sobre a redução de jornada e fim da escala 6×1 se redução salarial.
A iniciativa permite aos trabalhadores acompanhar e cobrar a atuação de seus representantes em uma decisão que afeta diretamente suas condições de vida. Nesse contexto, a reação de Damares coloca em debate os limites entre a proteção de dados pessoais e a garantia de canais efetivos de participação e cobrança popular.
Notificação exige retirada e dados sobre acessos
No documento, datado de 6 de outubro, Damares solicita a retirada imediata de seu número da plataforma e a desativação do botão que direciona os usuários ao seu WhatsApp. A senadora afirma que o telefone é pessoal e privado, não um canal institucional de atendimento, e que não autorizou sua divulgação.
Além da remoção, pede que a CUT informe a origem do número, a data de obtenção e, conforme os registros disponíveis, quantas pessoas acessaram o contato ou acionaram o botão de WhatsApp. Também exige confirmação formal das providências adotadas.
A notificação cita a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e prevê a possibilidade de medidas administrativas e judiciais, incluindo uma petição à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), caso os pedidos não sejam atendidos.
Pressão popular e transparência
A possibilidade de recorrer à Justiça contra a entidade responsável pela plataforma dá à medida um caráter de intimidação, na leitura expressa pela reação de Juruna. A cobrança sindical ocorre em meio à mobilização para que os senadores se posicionem e votem uma proposta de grande interesse para os trabalhadores.
Damares, por sua vez, declara na notificação que não pretende impedir manifestações, críticas ou mobilizações sobre sua atuação. Seu argumento é que a participação popular não justifica a divulgação de um telefone privado, especialmente quando existem canais institucionais.
Essa distinção é relevante: o documento não pede a retirada do posicionamento da senadora sobre a proposta nem a proibição de críticas ao mandato. Ainda assim, a reação sindical evidencia a preocupação de que medidas dessa natureza inibam a cobrança popular. A transparência parlamentar exige que os cidadãos possam conhecer as posições de seus representantes e tenham meios acessíveis e efetivos de questioná-las.
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