
Pato Fu, cantores e compositores brasileiros
“Vida de Operário” retrata o cansaço típico do trabalhador industrial ao fim da jornada. É o esgotamento de quem, no capitalismo, vende sua força de trabalho enquanto o fruto de sua produção é apropriado pelo detentor do capital. Nesse sentido, a música descreve a clássica relação de exploração que caracteriza esse modo de produção.
Lançada em 1991, porém, a canção também surge em um período de transição do mundo do trabalho.
Desde meados dos anos 1980, e de forma mais intensa na década de 1990, o emprego industrial formal tornou-se mais escasso, ao mesmo tempo em que cresceram a precarização, a terceirização e a informalidade. Isso não amenizou a exploração retratada na música; ao contrário, indicou uma nova etapa em que o trabalho passou a ser ainda mais inseguro, instável e imprevisível.
A canção interpretada, pelo Pato Fu, assim, não apenas retrata a condição do operário industrial clássico, mas também antecipa as transformações e a deterioração das relações de trabalho que marcariam as décadas seguintes
Vida de operário
(Composição: Excomungados/1991)
Intérprete: Pato Fu
Fim de expediente cinco e meia
Cartão de ponto, operários
Saem da fábrica cansados da exploração
Oito horas e de pé
E de pé na fila ônibus lotado
Duas horas em pé ou sentado
Vida de operário
Vida de operário
Vida de operário
Braços na máquina operando a situação
Crescimento da produção
E o lucro é do patrão
Semana é do patrão
Ganância é do patrão
E o lucro é do patrão
Fonte: Centro de Memória Sindical
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