
Greve dos Eletricitários de São Paulo ainda é uma possibilidade após audiência no TRT-2. Conheça os principais temas discutidos.
A possibilidade de uma greve envolvendo cerca de 20 mil trabalhadores terceirizados do setor elétrico em São Paulo segue mantida após audiência realizada nesta sexta-feira (22) no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2). O encontro reuniu representantes das empresas prestadoras de serviços, dirigentes do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo e membros do Ministério Público do Trabalho.
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Segundo o presidente do sindicato, Eduardo Annunciato (Chicão), apesar de alguns avanços nas negociações, a categoria ainda não conquistou nenhum acordo definitivo. De acordo com ele, entre os principais temas discutidos na audiência estão:
- reajustes no piso salarial das diferentes funções da categoria,
- pagamento integral mensal do vale-refeição,
- aumento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e
- mudanças nas regras do vale-alimentação.
A discussão também abordou a jornada de trabalho.
“Nós fizemos o pleito da exclusão da escala 6×1 das tabelas de escala. Na contrapartida da discussão, seria incluída como opção a escala 6×3”, explicou Chicão.
Outro ponto debatido foi a aplicação do IPCA sobre salários e benefícios retroativos à data-base da categoria, em janeiro. A proposta discutida prevê pagamento parcelado das diferenças salariais e benefícios econômicos.
O presidente do sindicato destacou ainda que o tribunal reconheceu a legitimidade da mobilização realizada pelos trabalhadores durante o processo de negociação.
“O tribunal entendeu que nós cumprimos o acordo e tivemos apoio na nossa mobilização”, afirmou.
Nova audiência será dia 27
A ata da audiência reforça os principais pontos defendidos pelo Sindicato dos Eletricitários de São Paulo durante a negociação. O documento oficial registra a proposta de aumento dos pisos salariais da categoria, reajuste pelo IPCA, ampliação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), pagamento mensal do vale-refeição e mudanças nas regras do vale-alimentação. A ata também confirma a reivindicação do sindicato pela retirada da escala 6×1 da convenção coletiva, com possibilidade de adoção da escala 6×3. Além disso, o tribunal definiu prazo para que o sindicato patronal apresente proposta oficial até o dia 25 de maio e marcou nova audiência para o dia 27, quando os trabalhadores deverão informar se aprovam a proposta ou se irão deflagrar greve.
“Tivemos pontos positivos na discussão, mas não ganhamos nada por enquanto. Está mantido o plano de luta”, afirmou o dirigente em vídeo postado em suas redes sociais após a audiência.
Durante a mediação, o TRT estabeleceu um cronograma para a continuidade das negociações. As empresas terão até o dia 25 de maio para realizar assembleia patronal e apresentar oficialmente uma proposta ao sindicato. A categoria deverá avaliar o conteúdo da proposta em assembleias até as 15 horas do dia 27, quando ocorrerá nova audiência no tribunal.
“Se a proposta vier boa, nós vamos aprovar. Se vier ruim, vamos rejeitar e avisar ao tribunal que estaremos em greve a partir do dia 28”, declarou Chicão.
O sindicato informou que a paralisação poderá atingir trabalhadores que prestam serviços para concessionárias como Enel, EDP, CPFL e Elektro, em áreas de manutenção, construção e zeladoria das redes de distribuição de energia elétrica.
“Essa greve pode afetar serviços essenciais com redução de contingente”, alertou o presidente da entidade.
Insatisfação cresce
A campanha salarial se arrasta desde janeiro e, segundo o sindicato, enfrenta dificuldades em razão das restrições impostas pelas concessionárias às empresas terceirizadas, o que estaria limitando avanços econômicos e sociais nas negociações.
“Os trabalhadores não suportam mais tanto descaso. Caso o impasse se arraste, já temos previsão futura de paralisação de 72 horas e, posteriormente, por tempo indeterminado”, disse Chicão.
Ao final da mensagem aos trabalhadores, Chicão reforçou o chamado para a unidade da categoria e defesa do sindicato.
“Esse sindicato tem lado. O nosso lado é o lado do trabalhador. Estamos juntos na luta e vamos vencer se vocês estiverem junto com a gente”, concluiu.
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