PUBLICADO EM 17 de out de 2019
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Colunista José Pereira dos Santos

Viva o professor!

Nesta segunda-feira, 15 de outubro, foi o Dia do Professor. A data, instituída ainda no reinado de Pedro II, só veio a ser oficializada em 1963, por ato do presidente da República João Goulart – Jango.

Interessante observar a relação entre a Educação e o Trabalhismo. Foi o maior dos trabalhistas, Getúlio Vargas, quem tornou obrigatório o ensino primário, promovendo um salto na alfabetização num País onde grande parte do povo era analfabeto.

Jango reconheceu a data em 1963 e só em 2008, sob governo de um nordestino de poucas letras, que o professor passou a ter direito a Piso Profissional. Devemos esse avanço ao companheiro que hoje se encontra preso, sem provas.

Outro feito extraordinário dos trabalhistas devemos a Leonel Brizola. Quando governou o Rio Grande do Sul, no final dos anos 50, ele construiu (pasmem!) 6.311 escolas, muitas delas construções rudimentares e de madeira, as chamadas brizoletas, erguidas nas vilas e nas zonas rurais.

A década de 80 assistiu a outro progresso na Educação, que foram os Cieps, escolas de período integral, com grade curricular ampla, biblioteca, laboratórios e alimentação. Sim, de barriga vazia não se aprende. O homem que concebeu os Cieps e os construiu com Brizola é o antropólogo e escritor Darcy Ribeiro, que havia sido ministro de Jango.

Evidentemente que a Educação é um projeto político. Governantes democratas valorizam o ensino e o professorado. Governantes atrasados inventam baboseiras como “escola em partido”, “kit gay”, “mamadeira de piroca” e outras mentiras, para ocultar sua falta de compromisso com a Educação e a evolução cultura da Nação.

Nossa Constituição dedica vários capítulos à Educação – conforme estipulam os Artigos do 205 ao 214. Vale conhecer o que reza o Artigo 205: “A educação, direito de todos e dever do Estado, será promovida com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

Os políticos brasileiros vivem inventando leis, quando deveriam se dedicar a pôr em prática o que consta da nossa Carta Magna, que neste mês completa 31 anos. Deputados-trogloditas, em vez de tentar invadir escolas, deveriam procurar conhecer a dura realidade do professor, especialmente de quem leciona na periferia e pontos urbanos violentos.

Mobral – Como já disse várias vezes, me alfabetizei adulto, por meio do Mobral – Movimento Brasileiro de Alfabetização. O Mobral foi das iniciativas mais saudáveis da ditadura. A mesma ditadura que não teve dó e cassou professores do quilate de Anísio Teixeira, Paulo Freire, Celso Furtado, Darcy Ribeiro e tantos outros.

Viva o professor! Viva quem semeia o saber! Vamos aprender a respeitar mais quem exerce ofício tão sagrado.

José Pereira dos Santos – Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região e Secretário nacional de Formação da Força Sindical

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