PUBLICADO EM 27 de abr de 2026

Colunista: Geopolítica contemporânea

A recursividade do erro: a “Epic Fury” como catalisador do ocaso

Entenda a complexidade do poder no eixo Trump-Netanyahu e as implicações do Epic Fury no Irã e no Golfo Pérsico.

Guerra no Irã e o erro ontológico do eixo Trump-Netanyahu através da chamada operação Epic Fury e suas implicações políticas. Imagem mostra o quarto dia do ataque ao Irã. Wikipedia.

Guerra no Irã e o erro ontológico do eixo Trump-Netanyahu através da chamada operação Epic Fury e suas implicações políticas. Imagem mostra o quarto dia do ataque ao Irã. Wikipedia.

Por Diógenes Sandim Martins

O erro ontológico do eixo Trump-Netanyahu reside na aplicação de uma mecânica de poder linear (decapitação → vácuo → controle) sobre um sistema que opera de forma autopoiética, como descreveria Humberto Maturana. O Irã não é apenas uma estrutura hierárquica; é uma rede de resiliência cultural e religiosa que se regenera sob pressão.

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O Tiro pela Culatra Estratégico:

  • Ao martirizar lideranças e atingir o coração civil (como a tragédia dos 200 estudantes), o agressor não desintegra o sistema, ele o solidifica. A “massa crítica” de indignação interna funde-se com o aparato estatal, tornando a mudança de regime por dentro — o grande sonho do “Velho Ciclo” — uma impossibilidade matemática e sociológica.

O Estreito de Ormuz como Gargalo Sistêmico:

  • A inversão de poder no Golfo Pérsico é o sintoma físico da decadência do Leviatã. Onde antes os porta-aviões ditavam o ritmo, hoje os mísseis ocultos e a geografia defensiva iraniana paralisam a economia do petrodólar.

A Dialogia de Lula e a Emergência do Sul Global

A inserção do Brasil, através da figura de Lula e sua articulação com a Espanha de Pedro Sànchez e  Claudia Sheinbaum do México e outros, representa a transformação para o multilateralismo. Não se trata apenas de diplomacia, mas da aplicação prática da dialogia de Edgar Morin: a capacidade de manter a unidade na diversidade e buscar a síntese entre forças antagônicas sem a aniquilação do “outro”.

Comparações entre o Eixo da Modernidade (1789-2026) com o Eixo da Pós-Modernidade Emergente:

Comparações entre o Eixo da Modernidade (1789-2026) com o Eixo da Pós-Modernidade Emergente.

Eixo da Modernidade (1789-2026) e Pós-Modernidade Emergente.

O Papel do Brasil na Geopolítica da Paz

O giro de Lula pela Europa não é meramente político; é pedagógico. Ele oferece ao “Velho Mundo” uma saída que não seja o suicídio nuclear ou o colapso econômico. Ao posicionar o Brasil como o mediador da ética sistêmica, ele preenche o vácuo deixado por um governo americano que se fechou em uma “psicosociopatia política”.

O Parto de Gaia e a Pós-Modernidade

Estamos, de fato, vivenciando o que Jacob Moreno definiria como um remanejamento sociométrico global. O sistema-mundo está em metanoia. A “Operação Epic Fury”, em sua recursividade, produziu o oposto do pretendido: em vez de um Irã de joelhos, entregou um Ocidente isolado e um Oriente Médio que, apesar das dores e do sangue, reivindica sua própria história.

Se 1789 libertou o indivíduo do absolutismo monárquico, 2026 pode ser lembrado como o ano em que os povos se libertaram do absolutismo imperial. O nascimento da Pós-Modernidade não é um evento pacífico — mas é o único caminho para a sobrevivência do organismo planetário (Gaia).

Oxalá que a razão sensível prevaleça sobre a fúria cega. Texto de inteira responsabilidade do autor quanto sua arquitetura conceitual e juízo crítico, com auxílio de Inteligência Artificial (IA) na Mediação e refinamento.

Diógenes Sandim Martins é médico, diretor do Sindnapi e secretário-geral do CMI/SP

 

 

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