
Guerra no Irã e o erro ontológico do eixo Trump-Netanyahu através da chamada operação Epic Fury e suas implicações políticas. Imagem mostra o quarto dia do ataque ao Irã. Wikipedia.
Por Diógenes Sandim Martins
O erro ontológico do eixo Trump-Netanyahu reside na aplicação de uma mecânica de poder linear (decapitação → vácuo → controle) sobre um sistema que opera de forma autopoiética, como descreveria Humberto Maturana. O Irã não é apenas uma estrutura hierárquica; é uma rede de resiliência cultural e religiosa que se regenera sob pressão.
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O Tiro pela Culatra Estratégico:
- Ao martirizar lideranças e atingir o coração civil (como a tragédia dos 200 estudantes), o agressor não desintegra o sistema, ele o solidifica. A “massa crítica” de indignação interna funde-se com o aparato estatal, tornando a mudança de regime por dentro — o grande sonho do “Velho Ciclo” — uma impossibilidade matemática e sociológica.
O Estreito de Ormuz como Gargalo Sistêmico:
- A inversão de poder no Golfo Pérsico é o sintoma físico da decadência do Leviatã. Onde antes os porta-aviões ditavam o ritmo, hoje os mísseis ocultos e a geografia defensiva iraniana paralisam a economia do petrodólar.
A Dialogia de Lula e a Emergência do Sul Global
A inserção do Brasil, através da figura de Lula e sua articulação com a Espanha de Pedro Sànchez e Claudia Sheinbaum do México e outros, representa a transformação para o multilateralismo. Não se trata apenas de diplomacia, mas da aplicação prática da dialogia de Edgar Morin: a capacidade de manter a unidade na diversidade e buscar a síntese entre forças antagônicas sem a aniquilação do “outro”.
Comparações entre o Eixo da Modernidade (1789-2026) com o Eixo da Pós-Modernidade Emergente:

Eixo da Modernidade (1789-2026) e Pós-Modernidade Emergente.
O Papel do Brasil na Geopolítica da Paz
O giro de Lula pela Europa não é meramente político; é pedagógico. Ele oferece ao “Velho Mundo” uma saída que não seja o suicídio nuclear ou o colapso econômico. Ao posicionar o Brasil como o mediador da ética sistêmica, ele preenche o vácuo deixado por um governo americano que se fechou em uma “psicosociopatia política”.
O Parto de Gaia e a Pós-Modernidade
Estamos, de fato, vivenciando o que Jacob Moreno definiria como um remanejamento sociométrico global. O sistema-mundo está em metanoia. A “Operação Epic Fury”, em sua recursividade, produziu o oposto do pretendido: em vez de um Irã de joelhos, entregou um Ocidente isolado e um Oriente Médio que, apesar das dores e do sangue, reivindica sua própria história.
Se 1789 libertou o indivíduo do absolutismo monárquico, 2026 pode ser lembrado como o ano em que os povos se libertaram do absolutismo imperial. O nascimento da Pós-Modernidade não é um evento pacífico — mas é o único caminho para a sobrevivência do organismo planetário (Gaia).
Oxalá que a razão sensível prevaleça sobre a fúria cega. Texto de inteira responsabilidade do autor quanto sua arquitetura conceitual e juízo crítico, com auxílio de Inteligência Artificial (IA) na Mediação e refinamento.
Diógenes Sandim Martins é médico, diretor do Sindnapi e secretário-geral do CMI/SP



