PUBLICADO EM 08 de jun de 2026

Coalizão sindical leva proposta de “imposto sobre bilionários” a Illinois, nos EUA

Entenda o imposto sobre bilionários e como ele está ganhando apoio em Illinois e em outros estados dos Estados Unidos.

Professores sindicalizados participaram de manifestações no Capitólio de Springfield, onde a taxação dos ricos foi uma das principais reivindicações. | AFT via Facebook

Professores sindicalizados participaram de manifestações no Capitólio de Springfield, onde a taxação dos ricos foi uma das principais reivindicações. | AFT via Facebook

Por Mark Gruenberg

A ideia do “imposto sobre bilionários”, que vem ganhando apoio em vários estados — incluindo o estado de Washington, onde já se tornou lei — chegou a Illinois por iniciativa de sindicatos da região de Chicago.

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Após uma coletiva de imprensa realizada pela manhã em Chicago, ônibus lotados de membros do Sindicato dos Professores de Chicago (CTU), do SEIU Healthcare Illinois, do Sindicato dos Professores de Faculdades Comunitárias do Condado de Cook Local 1600, do SEIU Local 73, da Federação de Professores de Illinois, da organização Warehouse Workers for Justice e de diversos grupos comunitários progressistas da área de Chicago seguiram para a capital estadual, Springfield.

Lá, atuando sob a bandeira da Illinois Revenue Alliance, eles realizaram uma grande manifestação em frente ao Capitólio estadual, antes de se espalharem para pressionar os parlamentares a tornar o sistema tributário de Illinois mais progressivo, aumentando os impostos sobre corporações e sobre os mais ricos. Uma série de legisladores simpáticos à causa manifestou apoio à iniciativa.

Se conseguirão ou não atingir seu objetivo é uma questão de US$ 4 bilhões. Esse é o montante que pretendem arrecadar.

“Quando dizemos para tributar os ultrarricos, é disso que estamos falando”, declarou o vice-presidente do CTU, Jackson Potter. “Como fechar o déficit [estadual]? Tributando os ricos.”

A legislatura estadual, fortemente dominada pelos democratas, enfrentava o prazo do final de maio para aprovar o orçamento do estado, e essa era sua principal prioridade. Contudo, os legisladores da “Terra de Lincoln” já demonstraram em anos anteriores disposição para prolongar as negociações orçamentárias quando estas chegam ao limite do prazo.

Tributar os ricos é uma ideia que ganha força

A ideia de “tributar os ricos” vem ganhando força em diversos estados, especialmente à medida que legisladores enfrentam cortes em programas federais de assistência social — notadamente o Medicaid e os cupons de alimentação — determinados pelo governo de direita de Donald Trump, pelo Congresso controlado pelos republicanos e por sua chamada “Grande e Bela Lei” (Big Beautiful Bill), aprovada no ano passado.

Os republicanos agora apresentam essa legislação como um corte de impostos para a classe média, argumento rejeitado pelos participantes da coletiva. Segundo eles, a medida republicana deixa trabalhadores e famílias lutando para sobreviver, abrindo mão de necessidades básicas, enquanto Trump e seus aliados bilionários embolsam os benefícios.

Além do estado de Washington, iniciativas de “tributar os ricos” já foram aprovadas em São Francisco e Portland, Oregon.

Na Califórnia, o deputado estadual Gary Lee, democrata de San José, tornou-se o mais recente legislador a apoiar um imposto extraordinário de 5% sobre a riqueza dos 200 bilionários do estado, destinado principalmente ao financiamento da saúde pública.

Há também 1,5 milhão de assinaturas em uma petição para colocar esse imposto na cédula eleitoral da Califórnia em novembro deste ano. Diferentemente da legislação de Illinois, o projeto SB3796, o imposto da Califórnia seria uma medida única, aplicada apenas uma vez.

Corrigir o sistema tributário

A solução proposta em Illinois é tributar os ricos e, ao mesmo tempo, corrigir o sistema tributário estadual, que, segundo estudos apartidários, é o oitavo mais injusto dos Estados Unidos, ou seja, um dos menos progressivos.

“Um bilionário paga a mesma alíquota de imposto de renda estadual que um caminhoneiro”, afirmou a deputada estadual Lindsey LaPointe, democrata de Chicago.

Em um artigo recente, Kyle Moore, do Economic Policy Institute, organização apoiada pelo movimento sindical, escreveu:

“Precisamos estruturar o sistema tributário [federal] para que ele se torne mais progressivo, captando uma parcela maior das enormes quantidades de riqueza e renda que se concentraram no topo. Podemos usar essa receita para financiar programas e novas infraestruturas que permitam que mais pessoas participem plenamente da economia.”

Essa é a ideia — em nível estadual — que os sindicatos de Illinois, seus aliados e parlamentares favoráveis aos trabalhadores defenderam em 27 de maio.

“Eu represento pessoas” dos bairros do noroeste de Chicago e dos subúrbios vizinhos “que recebem formulários W-2” para mostrar quanto os patrões descontam de seus salários, “e que acabam ficando com a pior parte”, disse LaPointe. “Elas dependem de serviços financiados pelo setor público”, como escolas e transporte coletivo.

Segundo ela, ambos sofreriam cortes devido às ações dos republicanos em Washington, e o financiamento estadual destinado às escolas públicas locais “caiu 50%” na última década, quando ajustado pela inflação.

A senadora estadual Lakesia Collins, democrata de Chicago e ex-organizadora do SEIU Local 73, afirmou que seus eleitores da região oeste da cidade e da área de Lawndale “estão sob enorme pressão”.

“Os custos aumentaram. Os salários estão sob pressão. E as pessoas estão sendo obrigadas a fazer escolhas difíceis. E quando o governo federal cria enormes brechas tributárias para grandes corporações e bilionários, o código tributário de Illinois é automaticamente ajustado” para refletir essas mudanças.

Propostas

Uma das propostas da coalizão é desvincular o sistema tributário estadual do sistema federal e de suas exceções fiscais.

Fazer isso “protegeria nossas famílias trabalhadoras” em Chicago, nos subúrbios e no interior do estado, afirmou ela.

Outra proposta prevê tributar a renda obtida no exterior por corporações e atualmente mantida em paraísos fiscais, como o Panamá e países do Caribe, explicou o senador estadual Robert Martwick, democrata de Norwood Park.

“Isso geraria US$ 434 milhões por ano”, disse ele. “Poderíamos investir esse dinheiro nas pessoas.”

“Temos pessoas que estão lutando para colocar comida na mesa ou conseguir atendimento de saúde para seus filhos, enquanto outros podem simplesmente viajar de jatinho para o casamento de Jeff Bezos em Veneza, na Itália”, afirmou o presidente da Comissão de Trabalho do Senado estadual, Robert Peters, democrata de Kenwood.

“Este é um momento em que estamos ao lado de vocês” na luta para tributar esses ricos, disse ele à multidão.

O premiado jornalista Mark Gruenberg é chefe da sucursal de Washington, D.C., do jornal People’s World. Ele também é editor do serviço de notícias sindical Press Associates Inc. (PAI).

Texto traduzido do People´s World por Luciana Cristina Ruy

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