PUBLICADO EM 26 de ago de 2020
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Bancários rejeitam reajuste zero e PLR menor. Negociação vai continuar

Bancos propõem dois anos sem reajuste, só abonos. “Não há possibilidade de acordo”, diz presidenta da confederação dos bancários

Na 11ª rodada de negociação, nesta terça-feira (25), a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) propôs reajuste zero por dois anos, apenas com pagamento de abonos. Além disso, continua tentando reduzir o valor da participação nos lucros ou resultados (PLR) paga aos trabalhadores. O Comando Nacional dos Bancários rejeitou a proposta. Foi marcada outra reunião para amanhã, às 14h. Na quinta, a categoria fará novas assembleias. Na noite de hoje, foram realizadas assembleias e plenárias da campanha dos bancários pelo país.

Pela proposta já recusada, os bancos pagariam R$ 1.656,22 de abono neste ano e R$ 2.232,75 no próximo. O Comando lembra que o valor corresponde a apenas metade da inflação, considerando o salário médio do empregado. E, sem ser incorporado, o abono não incide sobre 13º, férias e Previdência. Só sobraria mesmo o desconto no imposto de renda, reduzindo ainda mais a quantia. Os trabalhadores querem reajuste com ganho real (acima da inflação) na data-base (1º de setembro).

“Propor abono sem índice é impor uma perda muito grande nos salários. Não há possibilidade de acordo de dois anos com abono. Ninguém sabe qual será a inflação do ano que vem”, afirmou a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira. “Os bancários se arriscaram muito este ano para receber uma proposta de retirada de direitos”, acrescentou.

Assembleia permanente
De positivo, a Fenaban retirou a proposta de reduzir a gratificação de função. Mas em relação à PLR, “os bancos inventaram mais uma proposta, que é pior que todas as outras”, criticou Juvandia.

Além de manter a redução do percentual da parcela adicional e do “acelerador” da regra básica, agora o setor propõe limitar o gasto ao mesmo percentual distribuído em 2019. Pela nova proposta apresentada hoje pelos bancos, o percentual a ser distribuído cairia de 6,9% (oferta feita no sábado) para 6,2%. Isso traria perda de, em média, 38%, subindo a 47,3% no Bradesco. No Itaú a perda seria de 37,3% e no Santander de 28,1%. “Parece que os bancos imaginam que a gente não sabe fazer conta”, critica a presidenta da Contraf-CUT.

Com essa posição patronal, os sindicatos deverão manter-se em processo de assembleia permanente, afirmam os dirigentes. “Com certeza, nunca negociamos em um cenário como esse e chegamos na mesa com a categoria bem decepcionada As assembleias de quinta-feira serão decisivas.”

Fonte: Contraf-CUT

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