
Audiência Pública debate redução da jornada e fim da escala 6×1 em Porto Alegre-RS
A capital gaúcha recebeu, no último dia 15 de maio, uma audiência pública sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1. O encontro foi promovido pela deputada federal Daiana Santos e integrou a série de debates da Comissão Especial da Câmara dos Deputados que analisa propostas de redução da jornada sem diminuição salarial.
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Sindec-POA
Realizada em Porto Alegre, a atividade reuniu representantes de centrais sindicais, sindicatos, movimentos sociais, trabalhadores, especialistas e representantes do setor empresarial. Entre as entidades presentes estiveram o Sindicato dos Comerciários de Porto Alegre (Sindec-POA) , que defendeu a jornada de 40 horas semanais e o fim da escala 6×1.
O presidente da entidade, Nilton Neco afirmou que “o tempo de adaptação já foi dado. São 38 anos sem redução de jornada no país. Por isso defendemos 40 horas já.”
Durante a audiência, dirigentes sindicais destacaram os impactos da atual jornada sobre a saúde física e mental dos trabalhadores, especialmente nos setores do comércio e serviços, onde são comuns longas jornadas, trabalho aos finais de semana e poucas folgas.
O Sindec ressaltou que comerciários convivem diariamente com desgaste físico, dificuldades de convivência familiar e adoecimento provocado pelo excesso de trabalho. Já representantes da Força Sindical afirmaram que a redução da jornada pode contribuir para melhorar a qualidade de vida, gerar empregos e ampliar a produtividade.
Daiana Santos
A deputada Daiana Santos, deputada federal pelo PCdoB-RS, afirmou que o debate sobre o tempo de trabalho precisa considerar as mudanças tecnológicas e os impactos da automação sobre o emprego.
“O trabalhador precisa ter direito ao descanso, à convivência familiar e à vida social. A tecnologia deve servir para melhorar a vida das pessoas, e não para aumentar a exploração”, defendeu.
A discussão faz parte da tramitação da PEC 221/2019 e da PEC 8/2025, que tratam da redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, além da reorganização das escalas de trabalho.
Reforma da qualidade de vida
O relator da proposta na Comissão Especial, deputado Leo Prates, classificou a medida como “a reforma da qualidade de vida das pessoas”, argumentando que jornadas menores podem elevar a produtividade e reduzir problemas de saúde relacionados ao trabalho.
Representantes empresariais presentes no encontro demonstraram preocupação com os custos da mudança e defenderam períodos de transição mais longos para adaptação das empresas.
A audiência em Porto Alegre integra uma agenda nacional de debates promovida pela Comissão Especial da Câmara em diversos estados. A expectativa das centrais sindicais é ampliar a mobilização social pela aprovação da redução da jornada e do fim da escala 6×1 ainda neste ano.
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