
Onésssimo Gomes, cantor brasileiro
A canção “Trabalhar, Eu Não”, composta por Almeidinha (Aníbal Alves de Almeida) em 1946 e interpretada por Onéssimo Gomes, é um retrato bem-humorado, mas profundamente crítico, das relações de trabalho e das desigualdades sociais no Brasil. Com linguagem simples e popular, a música expressa a frustração de um trabalhador que dedicou anos de esforço ao emprego sem conseguir melhorar sua condição de vida, enquanto seu patrão acumulava riqueza.
A letra reflete um sentimento presente em muitas camadas da população trabalhadora da época: a percepção de que o trabalho árduo nem sempre era recompensado de forma justa. Ao afirmar repetidamente “Trabalhar, eu não!”, o personagem da canção não faz apenas uma declaração de preguiça ou desinteresse, mas manifesta um protesto contra a exploração e a falta de perspectivas para quem vive do próprio trabalho.
Inserida na tradição da música popular brasileira que mistura crítica social, ironia e humor, a composição permanece atual ao levantar reflexões sobre valorização profissional, distribuição de renda e dignidade do trabalhador. Por trás do tom descontraído, a canção revela uma denúncia das injustiças que marcaram — e ainda marcam — o mundo do trabalho.
Trabalhar, Eu Não
Composição: Almeidinha (Aníbal Alves de Almeida/1946)
Interpretação: Onéssimo Gomes
Quem quiser suba o morro,
Venha apreciar a nossa união.
Trabalho, não tenho nada,
De fome não morro não,
Trabalhar, eu não, eu não !
(bis)
Eu trabalhei como um louco,
Até fiz calo na mão,
O meu patrão ficou rico,
E eu, pobre sem tostão,
Foi por isso que agora,
Eu mudei de opinião.
Trabalhar, eu não, eu não !
Trabalhar, eu não, eu não !
Fonte: Centro de Memória Sindical
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