PUBLICADO EM 24 de maio de 2021
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Greves em 2020 é menor por causa da pandemia, aponta Dieese

56% das mobilizações foram contra o descumprimento de direitos, como a falta de pagamento de salários, bonificações e horas extras. Em 48% delas, contra a retirada de direitos

O Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) divulgou detalhes sobre o total de paralisações que foram realizadas em 2020 e que teve como resultado uma queda em 42%. Em 2020 foram 649 paralisações contra 1.118 em 2019.

Dados mostram que a maioria das greves foram para manter direitos já adquiridos e não para a conquista de mais benefícios.

Das greves defensivas, 56% foram contra o descumprimento de direitos, como a falta de pagamento de salários, bonificações e horas extras. Em 48% delas, as queixas eram pela manutenção de benefícios que seriam retirados.

“O que se tem visto nos últimos dez anos é uma dinâmica de ciclo, com ascensão e estabilização em um número alto, de 2.000 [greves] por ano, e, agora, vemos uma diminuição no total”, avalia Rodrigo Linhares, do Dieese.

Juruna: “descumprimento dos acordos, como atraso de pagamento, de 13º ou algo assim, é o que leva à greve” – Foto: Jaélcio Santana

Linhares destaca que não é somente greve que é utilizada como forma de pressão nas negociações com a classe patronal. “A greve é a ação mais visível, mas os sindicatos também fazem negociações e têm outras formas de luta por direitos, Além disso, os sindicatos passam por reorganização por conta dos impactos da reforma trabalhista.”

João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical, fala que a readaptação do movimento sindical também tem conexão com uma análise da conjuntura econômica do país, que não é favorável para a realização de greves.

“A realidade se impõe às ações sindicais. O descumprimento dos acordos é o que leva à greve, como atraso de pagamento, de 13º ou algo assim”, afirma Juruna.

Mesmo com as perdas da reforma trabalhista de 2017, o movimento sindical segue importante para a garantia de direitos, ainda mais na pandemia, segundo o secretário-geral da CUT-SP, Daniel Calazans. “O sindicato desperta no trabalhador o senso de coletividade para resistir e contrapor”, disse Daniel.

Garantia de emprego

O secretário-executivo da CSP-Conlutas, Antágoras Lopes, as greves de 2020, mesmo sendo um número inferior às de 2019, podem ser consideradas positivas por causa da pandemia.

“A disposição de greve, maior no setor privado do que no setor público, demonstra a vitalidade da tradição de organização dos trabalhadores, mesmo diante de uma crise sanitária sem precedentes”, diz.

“Temos de lembrar que cerca de 11 milhões de trabalhadores, entre 2020 e início de 2021, aceitaram a redução de salários por garantia de emprego”, afirma Lopes.

O Dieese conseguiu apurar o resultado das greves em 207 casos. Em 106, houve atendimento integral ou parcial das reivindicações. Na iniciativa privada, o setor que mais parou foi o de serviços, com 77,9% do total. A área inclui bancários.

Fonte: Agora SP

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