PUBLICADO EM 27 de abr de 2026

EUA: Movimento LGBTQ mira eleições de meio de mandato

Descubra como o Movimento LGBTQ está influenciando as eleições de meio de mandato de 2026 nos EUA e defendendo os direitos de todos.

O movimento LGBTQ ganha força nas eleições de 2026, buscando defender e garantir seus direitos no Congresso. Na imagem, ACT-UP e RISE & RESIST participam da 47ª Parada do Orgulho Gay, em Nova York, NY, 2017. Foto de Elvert Barnes Photography.

O movimento LGBTQ ganha força nas eleições de 2026, buscando defender e garantir seus direitos no Congresso. Na imagem, ACT-UP e RISE & RESIST participam da 47ª Parada do Orgulho Gay, em Nova York, NY, 2017. Foto de Elvert Barnes Photography.

Por John Wojcik

WASHINGTON — As eleições de meio de mandato de 2026 estão se configurando como campos de batalha para defender os direitos de todos os tipos de pessoas prejudicadas pelas políticas da administração Trump. Entre os que estão entrando com força total na arena eleitoral estão as pessoas LGBTQ do país, que estão investindo recursos, tempo e trabalho em campanhas em estados-chave decisivos.

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Campanha aberta

Não faz muito tempo na história dos Estados Unidos que grupos de direitos gays, quando participavam de disputas eleitorais, o faziam discretamente. Hoje em dia, eles anunciam abertamente seus planos de substituir legisladores que se opõem a eles por representantes aliados no novo Congresso.

A presidente da Human Rights Campaign, Kelley Robinson, é um exemplo importante do compromisso dos ativistas dos direitos LGBTQ em influenciar a composição do Congresso.

“Acho que esta é a eleição que vai marcar uma virada decisiva, não apenas para alcançar uma maioria pró-igualdade, mas para mudar o rumo dessa luta por igualdade”, disse ela recentemente à imprensa.

Sua organização identificou oito distritos eleitorais do Congresso nos quais acredita que um impulso nas pautas LGBTQ pode mudar a composição do próximo Congresso. E eles não estão parando na Câmara dos Representantes. Estão estendendo seu apoio total a democratas que concorrem ao Senado dos EUA em vários estados, incluindo Geórgia, Minnesota, New Hampshire, Ohio e Texas. A HRC está destinando um orçamento de 15 milhões de dólares para esse esforço.

Essa abordagem lhes garantiu fortes aliados tanto no movimento trabalhista quanto em organizações parceiras — além de ativistas históricos do Partido Democrata que acreditam que todos os distritos destacados pelos ativistas LGBTQ são importantes para a batalha geral de mudar a composição do próximo Congresso.

Sem ilusões

Os ativistas do movimento pela igualdade LGBTQ não têm ilusões de que seus esforços trarão resultados fáceis. Eles sabem bem que, assim como outros grupos no país, sofreram derrotas e retrocessos significativos nas mãos da administração Trump. Além dessas derrotas, tiveram que enfrentar reveses nos tribunais do país.

A administração republicana do presidente Trump reverteu proteções para pessoas transgênero, como proibi-las de servir nas Forças Armadas e cortar o acesso a cuidados de afirmação de gênero para crianças. A maioria conservadora da Suprema Corte dos EUA manteve restrições impostas por estados republicanos, ao mesmo tempo em que derrubou proibições sobre práticas de “terapia de conversão”, inclusive em estados democratas.

De certa forma, os movimentos pelos direitos LGBTQ passaram a considerar como garantidas as vitórias conquistadas nas últimas décadas, como se algumas das grandes batalhas já estivessem vencidas. O clima quando a Suprema Corte confirmou o direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo em 2015 foi de euforia. Muitos não esperavam que essa conquista estaria ameaçada apenas alguns anos depois.

Da mesma forma, ativistas dos direitos civis e dos direitos dos imigrantes acreditavam que as vitórias conquistadas ao longo dos anos não voltariam a ser ameaçadas por forças poderosas da direita no país. Eles também têm visto grandes retrocessos.

“Acredito que nosso movimento passou a acreditar que estávamos mais próximos da igualdade do que realmente estamos”, disse Robinson recentemente à Associated Press.

Se a determinação de entrar na arena eleitoral durante as eleições de meio de mandato serve como indicativo, os movimentos pelos direitos LGBTQ e os movimentos aliados — trabalhista, de direitos civis e outros — não pretendem repetir as tendências anteriores de superestimar a durabilidade das conquistas passadas e subestimar a força das forças de direita no país determinadas a revertê-las.

“Este movimento está pronto para um novo fôlego, um segundo impulso”, afirmou Robinson.

*Reportagens da AP contribuíram com material para esta matéria.

John Wojcik é editor-chefe do People’s World. Ele ingressou na equipe como editor de trabalho (labor) em maio de 2007.

Texto traduzido do People´s World por Luciana Cristina Ruy

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