
Membros do sindicato seguram cartazes com os dizeres “Expulsem a ICE!” durante um protesto em Los Angeles, em 1º de maio de 2026, contra a presença da agência na Copa do Mundo Masculina da FIFA de 2026. | Foto: UNITE HERE Local 11
Mark Gruenberg
LOS ANGELES e SEATTLE — Os sindicatos locais da Unite HERE, cujos membros são majoritariamente trabalhadores racializados e quase todos pertencentes a alguns dos grupos mais explorados do país, atuando em hotéis, restaurantes e estádios, estão usando a próxima Copa do Mundo de Futebol nos Estados Unidos como instrumento de pressão para exigir a exclusão dos agentes do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA) das cidades-sede, para realizar votações de autorização de greve ou para ambas as finalidades.
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Ao mesmo tempo, o sindicato internacional ao qual pertencem está alertando os viajantes que pretendem assistir aos jogos de que poderão encontrar piquetes e disputas trabalhistas nesses locais, bem como nos aeroportos.
“A Copa do Mundo deveria ser uma grande oportunidade econômica para a indústria da hospitalidade e uma chance de recuperação diante da queda do turismo e da demanda por quartos de hotel, reservas em restaurantes e serviços semelhantes, causada pelas desastrosas políticas de imigração de Trump”, declarou a presidente da Unite HERE, Gwen Mills.
“Os membros da Unite HERE estão preparados para dar uma calorosa recepção aos torcedores em suas cidades, mas talvez não consigam fazê-lo se ainda estiverem lutando por bons contratos que garantam salários e benefícios dignos.”
Ou se os trabalhadores forem afastados ou intimidados pelos agentes do ICE de Trump e pelos policiais locais que colaboram com eles.
Mills explicou que uma forte presença policial e de agentes do ICE nos arredores dos estádios, hotéis e restaurantes “pode desencorajar os participantes e/ou intimidar os trabalhadores enquanto tentam desempenhar suas funções”.
“Muitos membros da Unite HERE são imigrantes, incluindo aqueles que trabalharão nos estádios, hotéis e aeroportos durante a Copa do Mundo. Eles vivenciam diariamente os efeitos das políticas e da retórica anti-imigração. Não precisam do estresse adicional de monitorar a presença de agentes do ICE em seus locais de trabalho”, afirmou Enrique Fernández, vice-presidente do sindicato para imigração, direitos civis e diversidade.
Com a AFL-CIO: fora ICE
“Essa é uma das razões pelas quais nos unimos à AFL-CIO ao exigir que a liderança da FIFA mantenha o ICE fora das cidades-sede da Copa do Mundo.” A federação sindical enviou essa demanda à FIFA em meados de maio.
A primeira partida da Copa do Mundo nos Estados Unidos foi em 12 de junho, no SoFi Stadium, localizado em Inglewood, subúrbio de Los Angeles.
O sindicato Unite HERE Local 11, que representa trabalhadores de hotéis, restaurantes e arenas esportivas nos condados de Los Angeles e Orange County, planejou uma votação de autorização de greve nos dias 4 e 5 de junho.
Os membros do Local 8 de Seattle estão buscando um novo contrato com o hotel Hilton Embassy Suites, localizado na região de Pioneer Square, no centro da cidade. O hotel fica ao lado do estádio que sediará uma partida da Copa do Mundo em 15 de junho, apenas dez dias após a votação de autorização de greve marcada para 5 de junho. O contrato, expirado em 31 de maio, cobre 113 trabalhadores.
Os funcionários afirmam que os salários não acompanham o alto custo de vida de Seattle, além de enfrentarem cargas de trabalho excessivas. Aproveitando a proximidade da Copa do Mundo, o sindicato procura aumentar sua pressão sobre a empresa durante as negociações.
Grandes eventos internacionais como barganha
A estratégia do Unite HERE reflete uma tradição histórica do movimento sindical: utilizar grandes eventos internacionais como fonte de poder de barganha. Com milhões de turistas esperados e enorme atenção da mídia mundial, hotéis, restaurantes, aeroportos e estádios dependem ainda mais dos trabalhadores para manter suas operações funcionando normalmente.
Ao mesmo tempo, o sindicato relaciona as disputas contratuais à luta contra as políticas migratórias do governo Trump. Como muitos dos trabalhadores do setor de hospitalidade são imigrantes, o temor de batidas do ICE tornou-se uma preocupação central.
Segundo a presidente do Unite HERE, Gwen Mills, os trabalhadores querem receber os visitantes da Copa do Mundo de forma acolhedora, mas isso será difícil enquanto continuarem enfrentando salários insuficientes, benefícios inadequados e o medo constante das operações de imigração.
ICE pode intimidar torcedores e trabalhadores
O sindicato e a AFL-CIO também exigem que a FIFA garanta que agentes do ICE não participem das operações relacionadas ao torneio. Os dirigentes sindicais argumentam que a presença desses agentes pode intimidar trabalhadores e torcedores, prejudicando tanto os direitos civis quanto o sucesso do evento.
Para o movimento sindical, a Copa do Mundo de 2026 representa não apenas um evento esportivo global, mas também uma oportunidade para pressionar empregadores por melhores contratos e para denunciar as políticas anti-imigração do governo Trump.
As principais reivindicações em Seattle são melhores salários, cobertura de saúde durante todo o ano e o retorno aos níveis de pessoal existentes antes da pandemia. O sindicato também exige que o ICE permaneça fora de Seattle.
A Unite HERE informou ainda que membros do Local 274, na Philadelphia, planejam entrar em greve em vários hotéis do centro da cidade caso não consigam fechar um novo contrato antes da partida da Copa do Mundo marcada para 14 de junho. Os trabalhadores prometem manter a greve até o Dia da Independência, em 4 de julho, se necessário.
Isso representaria um problema político para Trump, já que ele está dando grande destaque às comemorações do 250º aniversário da assinatura da Declaração de Independência dos Estados Unidos, ocorrida em Filadélfia.
Protestos sindicais
A Unite HERE também apontou Houston como outro possível local de protestos sindicais, destacando sua proximidade com o México. Entretanto, há um fator adicional: as operações do ICE promovidas pelo governo Trump levaram muitos torcedores mexicanos que planejavam viajar para os jogos da Copa do Mundo em Houston e em Arlington a cancelar suas viagens.
Segundo organizações locais, o turismo internacional sofreu uma queda significativa.
Outras cidades e estádios dos Estados Unidos que sediarão partidas da Copa do Mundo incluem: Boston, Miami, Atlanta, Kansas City, Dallas East Rutherford (região metropolitana de Nova York) e Washington.
Na capital dos EUA, grupos latinos, de direitos civis e de defesa do direito ao voto afirmam que muitos moradores veem o ICE como um verdadeiro “exército de ocupação”, embora essa não seja a posição da prefeita Muriel Bowser.
As cidades-sede da CopaNeo do Mundo no México serão: Cidade do México City, Guadalajara e Monterrey.
No Canadá, as cidades anfitriãs incluem: Vancouver e Toronto.
Mark Gruenberg, premiado jornalista, é chefe do escritório de Washington do People’s World e editor do serviço de notícias sindicais Press Associates Inc. (PAI).
Texto traduzido do People´s World por Luciana Cristina Ruy
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