PUBLICADO EM 13 de jul de 2026

Comando Nacional cobra fim das demissões nos bancos

Comando Nacional dos Bancários exige suspensão das demissões e do fechamento de agências durante negociações da campanha salarial com a Fenaban

Comando Nacional cobra fim das demissões nos bancosO Comando Nacional dos Bancários reforçou, nesta terça-feira (7), a cobrança pela suspensão imediata das demissões e do fechamento de agências durante a Campanha Nacional 2026.

Na segunda rodada de negociações, representantes dos trabalhadores apresentaram dados que mostram a redução de 93,3 mil empregos bancários entre 2015 e maio de 2026.

Além disso, o setor fechou 9,5 mil agências no período, reduzindo 42% da rede física e encerrando, em média, 30 unidades por semana.

“Os cinco maiores bancos estão promovendo uma acelerada redução de seus quadros de funcionários. Em apenas um ano, o Santander eliminou 6,1 mil postos de trabalho, o Itaú extinguiu 4,6 mil vagas, o Bradesco reduziu 3 mil empregos e o Banco do Brasil cortou outros 1,4 mil postos. Os números evidenciam um processo de demissões em massa, que impacta não apenas os trabalhadores, mas também a qualidade do atendimento à população. Além de representar um ataque aos direitos dos trabalhadores, essa prática compromete o acesso da sociedade aos serviços bancários”, afirmou Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e coordenadora do Comando Nacional.

Segundo Neiva, as receitas obtidas com tarifas bancárias superam amplamente os custos da folha salarial, alcançando, em média, 150% desse valor em todo setor.

Entretanto, os bancos justificam os fechamentos alegando elevado “custo de servir” e analisam individualmente os resultados das agências, desconsiderando o desempenho consolidado dos conglomerados financeiros.

Juvandia Moreira destacou que o comportamento do setor bancário contrasta com o mercado nacional, responsável pela criação de 5,17 milhões de empregos formais desde 2023.

“Esses dados apontam para uma diferença muito grande do que está acontecendo no setor bancário em relação ao que estamos vivendo no Brasil que, desde o início do governo Lula (2023), gerou 5,17 milhões de empregos formais, batendo recorde nos níveis de carteira assinada, com a baixa histórica das taxas de desocupação, do IBGE”, destacou Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional e presidenta da Contraf-CUT. “Os números de postos fechados demonstram que Santander, Itaú e Bradesco fizeram demissão em massa o que, no entendimento da Justiça, não pode acontecer sem negociação prévia”.

Além disso, Juvandia ressaltou que os cinco maiores bancos obtiveram lucro líquido de R$ 124 bilhões em 2025, enquanto continuam reduzindo empregos e agências.

Terceirização

Os dirigentes também apontaram crescimento de 49% nos contratos com correspondentes bancários entre 2015 e 2025, evidenciando a transferência das atividades para terceiros.

“A grande questão, portanto, é que o trabalho bancário não está sendo eliminado, na verdade está sendo transferido para os correspondentes bancários e outros segmentos do ramo financeiro. Estão fechando as agências para transferir o atendimento presencial para os correspondentes. Esse movimento também abre espaço para as cooperativas de crédito, que estão cada vez mais presentes nas áreas abandonadas pelos bancos”, completou Juvandia Moreira.

Diante desse cenário, o Comando Nacional exigiu que a Fenaban suspendesse demissões e fechamentos de agências durante as negociações, como demonstração de boa-fé entre as partes envolvidas.

Entretanto, a Fenaban recusou o pedido.

“Essa resposta não nos paralisará. O Comando Nacional continuará cobrando e acompanhando, em todo o país, os casos de demissões e fechamentos de agências, para não permitir que continuem acontecendo”, arrematou Juvandia Moreira.

Os representantes sindicais alertaram ainda para os impactos das demissões sobre as mulheres, que representaram 25,5 mil desligamentos, equivalentes a 79% das vagas eliminadas desde 2020.

“Os bancos vão acabar com as mulheres na categoria? De 2024 para 2025, a participação de mulheres na categoria caiu de 49% para menos de 47%. Esses números mostram que uma parte importante dos nossos esforços na mesa de Igualdade de Oportunidades está sendo inviabilizado pelas demissões em massa. Mostram também que os bancos estão concentrando cada vez mais os ganhos de produtividade obtidos com a tecnologia, e não cumprindo com a responsabilidade social de dividir esses ganhos com a população e com os trabalhadores”, reforçou Neiva.

Fim das terceirizações

Além disso, o Comando Nacional voltou a defender o fim das terceirizações, o retorno das homologações nos sindicatos e a criação de indenização adicional aos demitidos.

Os dirigentes reivindicaram também a criação de um banco de talentos bancários, fortalecendo oportunidades de recolocação profissional para trabalhadores desligados durante o processo de reestruturação.

Ao final da reunião, a Fenaban rejeitou estabilidade durante as negociações, indenização adicional e suspensão das demissões, mas aceitou avaliar outras reivindicações apresentadas pelo movimento sindical.

Entre os temas em análise estão o retorno das homologações sindicais, o fortalecimento da qualificação profissional em tecnologia da informação e o banco de talentos.

As próximas rodadas de negociação ocorrerão nos dias 16, 21 e 30 de julho, abordando igualdade, saúde, condições de trabalho, remuneração e cláusulas econômicas.

“Precisamos da participação de todos os bancários. É fundamental que a categoria esteja atenta às convocações, pois, nos próximos dias, realizaremos plenárias e reuniões nos locais de trabalho que serão decisivas para a nossa campanha. A presença de cada trabalhador e trabalhadora é essencial para demonstrarmos a força da categoria e construirmos uma grande mobilização em defesa das nossas reivindicações.”, destacou Neiva Ribeiro.

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