PUBLICADO EM 01 de ago de 2022
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Colunista Marcos Aurélio Ruy

Anuário da Contag revela a força e as necessidades da agricultura familiar no país

A Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag) lança o Anuário Estatístico da Agricultura Familiar 2022 com o tema Quem Não Vive Dela, Depende Dela para Viver. “O que já deixa claro a importância de valorizar as trabalhadoras e os trabalhadores da agricultura familiar, que são maioria no campo”, diz Thaisa Daiane Silva, secretária-geral da Contag.

Ela se baseia nos dados apresentados pelo anuário, pelos quais observa-se a geração de 10,1 milhões de ocupações nessa forma de produção. De acordo com o documento, a agricultura familiar detém somente 23% das terras, distribuídas em 3,9 milhões de estabelecimentos, mas conta com 67% das ocupações no campo.

“As informações contidas neste anuário são importantes para podermos analisar melhor as nossas necessidades e como a nossa produção sustentável visa ajudar o país a combater a fome e gerar empregos no campo e na cidade com o escoamento dos produtos”, reforça Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Agrícolas da Contag e da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 86% da população brasileira vivem em área urbana e 14% no meio rural. Mas “a agricultura familiar movimenta a economia do país, essencialmente de 90% das cidades com até 20 mil habitantes, 68% dos municípios brasileiros”, afirma Thaisa.

Conheça o anuário completo aqui

Além disso, defende Vânia, “necessitamos de revitalizar e aprofundar as políticas públicas para ampliar as possibilidades de produção de alimentos para o mercado interno e para exportação”. Thaisa destaca que a agricultura familiar produz 45% dos alimentos na América Latina. Vânia afirma ser necessário “ampliar o acesso à orientações técnicas” porque o estudo revela que somente 18% das agricultoras e agricultores familiares contam com essa assistência atualmente. “E isso é fundamental para melhorar as condições de trabalho e a qualidade dos alimentos”, assegura.

Tanto que a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) decidiu instituir a Década da Agricultura Familiar, entre 2019 e 2028. Na apresentação do anuário, a Contag afirma que “são mulheres, homens e LGBTQIA+, jovens e pessoas idosas, agricultores(as) familiares, assentados(as), reassentados(as), pescadores artesanais, quilombolas, indígenas, silvicultores, aquicultores e extrativistas que, de sol a sol, dedicam-se a promover a agricultura, a pecuária e atividades não agrícolas”.

Com todas essas informações “é possível ao próximo governo pensar a agricultura familiar como uma atividade essencial para um projeto de desenvolvimento sustentável”, acentua Sandra Paula Bonetti, secretária de Meio Ambiente CTB e da Contag.

Até porque, diz ela, “o estudo mostrou que 67% das agricultoras e agricultores familiares não utilizaram agrotóxicos em sua produção”. E no momento pelo que passa o país com “intensos ataques ao meio ambiente, às florestas, às águas, às terras indígenas e quilombolas, torna-se questão crucial fortalecer a agricultura familiar para a produção de alimentos saudáveis com respeito à natureza”.

Principalmente porque o Brasil voltou ao Mapa da Fome com mais de 33 milhões de pessoas sem nenhuma refeição diária e mais da metade da população em insegurança alimentar, ou seja, sem ao menos três refeições diárias.

Por isso, o lançamento do anuário durante a realização da Semana da Agricultura Familiar visa “dar sustentação às nossas reivindicações para melhoria da vida no campo com objetivo de aumentar a permanência de jovens e com isso revigorar a economia do país”, argumenta Thaisa.

Marcos Aurélio Ruy é jornalista

As opiniões expostas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do Rádio Peão Brasil

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