
Greve dos Correios continua após suspensão do julgamento no TST. Sindicatos mantêm mobilização em defesa do plano de saúde e direitos.
A greve nacional dos trabalhadores dos Correios continua após o Tribunal Superior do Trabalho suspender, segunda-feira (21), o julgamento do dissídio coletivo da categoria.
O TST retomará o julgamento na quinta-feira (24), após conceder prazo para as federações analisarem novos documentos apresentados pelos Correios durante o processo judicial.
Antes da suspensão, a ministra relatora Maria de Nazaré Medeiros Rocha votou pela legalidade da greve e considerou o movimento não abusivo, segundo entidades sindicais.
Entretanto, o julgamento ainda não terminou. O presidente do TST, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, suspendeu a sessão após documentos apresentados pela empresa.
Vieira de Mello considerou necessário garantir às representações dos trabalhadores prazo adequado para examinar os documentos antes da conclusão do julgamento sobre a paralisação nacional.
Enquanto isso, sindicatos de diferentes estados orientam os trabalhadores a manterem a greve e ampliarem a mobilização até a retomada do julgamento no Tribunal.
Em Brasília, a presidenta do Sintect-DF, Amanda Corcino, afirmou que os trabalhadores permanecerão mobilizados contra eventuais punições e pela preservação dos direitos da categoria.
“A greve é legal, é justa e não vai recuar. A tentativa de nos multar em R$ 200 mil é mais um ataque da empresa contra os trabalhadores.”
“Não vamos aceitar nenhum retrocesso nos nossos direitos. A mobilização continua, e a pressão só aumenta”, afirmou Amanda durante manifestação realizada em frente ao TST.
Mobilização continua
De acordo com a dirigente, os trabalhadores continuarão mobilizados e determinados a conquistar suas reivindicações durante a Campanha Salarial e as negociações do novo Acordo Coletivo.
Em São Paulo, trabalhadores também aprovaram a continuidade da greve até quinta-feira, quando o TST deverá retomar o julgamento do dissídio coletivo da categoria.
A FINDECT afirma que manteve disposição para negociar durante toda a Campanha Salarial e buscou construir acordo que preservasse direitos conquistados pelos trabalhadores dos Correios.
Para a Federação, o principal impasse envolve o plano de saúde, especialmente a proposta dos Correios para alterar sua responsabilidade na manutenção do benefício dos trabalhadores.
Anteriormente, o presidente da FINDECT, José Aparecido Gandara, destacou que a entidade procurou interlocução política para abrir caminhos capazes de destravar as negociações com os Correios.
“Estamos buscando todos os caminhos para que o governo ouça os trabalhadores e ajude a construir uma saída para esse impasse”, afirmou José Aparecido Gandara.
O presidente do SINTECT-SP e vice-presidente da FINDECT, Elias Diviza, também defendeu diálogo com representantes políticos e governamentais para buscar avanços durante as negociações.
“A nossa missão é abrir portas, levar as reivindicações dos trabalhadores e buscar o diálogo necessário para que as negociações avancem”, afirmou Elias Diviza.
Principais reivindicações
Entre as principais reivindicações apresentadas pelas entidades sindicais estão:
- preservação do atual plano de saúde;
- manutenção dos direitos previstos no Acordo Coletivo;
- recomposição salarial pela inflação;
- reajuste dos benefícios;
- defesa dos empregos;
- suspensão de medidas consideradas prejudiciais durante a reestruturação;
- manutenção das condições de trabalho e direitos conquistados.
A FINDECT afirma que a categoria chegou à greve após sucessivas negociações sem acordo, apesar das tentativas de mediação realizadas pelo Tribunal Superior do Trabalho.
Além disso, os sindicatos defendem que qualquer solução preserve direitos, garanta assistência à saúde e ofereça segurança aos trabalhadores, aposentados e familiares atendidos pelo plano.
No Distrito Federal, o sindicato convocou novas mobilizações, enquanto entidades de outras regiões mantêm assembleias, atividades nas unidades e ações para fortalecer a paralisação nacional.
Agora, trabalhadores aguardam a retomada do julgamento na quinta-feira, enquanto as entidades sindicais defendem novas negociações para construir uma solução para o conflito coletivo.
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