
Jefferson Caproni no Primeiro Seminário Nacional de Educação em Enfermagem
A cidade de Foz do Iguaçu (PR) recebe, entre os dias 15 e 18 de junho, o 1º Seminário Nacional de Educação em Enfermagem (I Seneenf), promovido pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). O encontro reúne lideranças, pesquisadores, docentes, estudantes e profissionais de todo o país para discutir os rumos da formação técnica e superior da categoria e construir propostas voltadas ao fortalecimento da Enfermagem brasileira.
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Alinhado ao Planejamento Estratégico do Cofen, o seminário busca ampliar a participação da autarquia nas discussões sobre a revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos técnicos e de graduação em Enfermagem, além de debater os desafios da pedagogia contemporânea, a formação continuada dos docentes e a incorporação de novas tecnologias educacionais.
Na abertura do encontro, o presidente do Cofen, Manoel Neri, destacou que a melhoria da qualidade da assistência prestada à população está diretamente ligada à formação dos profissionais.
“Nestes dias de evento, iremos debater um dos maiores desafios que enfrentamos na atualidade: a educação em Enfermagem e, principalmente, a qualidade do ensino no nosso país. O futuro da Enfermagem depende diretamente da melhoria da qualidade da educação no Brasil”, afirmou.
Após a cerimônia de abertura, os participantes acompanharam a conferência magna da professora doutora Isabel Amélia Costa Mendes, da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto (USP-RP), que abordou a ciência da implementação como ferramenta estratégica para aproximar a produção científica da prática profissional e fortalecer a educação corporativa no âmbito do Sistema Cofen/Conselhos Regionais.
Jefferson Caproni defende investimento em educação e especialização
Um dos destaques do seminário foi a participação do presidente do Sindicato da Saúde de São Paulo (SinSaúdeSP) e coordenador da Comissão Nacional de Auxiliares e Técnicos de Enfermagem (Conatenf/Cofen), Jefferson Caproni, que defendeu a ampliação da educação profissional e da especialização como instrumentos fundamentais para a valorização da categoria.
Ao abrir sua palestra, Caproni agradeceu ao presidente do Cofen, Manoel Neri, aos integrantes da atual gestão e aos responsáveis pela organização do encontro, destacando o trabalho do coordenador do seminário, David Lopes Neto, e da professora Soraya, da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), parceira em iniciativas voltadas à oferta de cursos de especialização gratuitos.
Segundo o dirigente, o objetivo do encontro é construir “o maior legado da enfermagem brasileira na educação”, por meio de ações concretas em favor da categoria.
“Precisamos de valorização real, não de discurso. Precisamos de ação”, afirmou.
Representando a Comissão Nacional de Auxiliares e Técnicos de Enfermagem, Caproni ressaltou a importância dos mais de 2,5 milhões de profissionais que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS) e na rede privada.
“Estamos vivendo um novo tempo, em que a base — nossos auxiliares e técnicos — não é apenas ouvida, mas colocada no centro das decisões”, destacou.
Durante a apresentação, o dirigente chamou a atenção para a necessidade de adequar a formação profissional às transformações do setor de saúde.
“Estamos formando profissionais para o ontem ou para o futuro?”, questionou.
Caproni defendeu o ensino presencial de qualidade e ressaltou que a tecnologia deve ser uma aliada, mas não pode substituir o contato humano, elemento essencial da prática da enfermagem.
“Nós precisamos formar profissionais de enfermagem preparados para esse novo momento. Com investimento em educação e com cursos de especialização, o técnico ganha mais e vive melhor”, afirmou.
Especialização e segurança jurídica
Um dos pontos centrais da palestra foi a defesa da Resolução nº 609/2019 do Cofen, que regulamentou as especialidades de nível médio em enfermagem para auxiliares e técnicos.
Segundo Caproni, a norma garante o reconhecimento das especializações, estabelece carga horária mínima de 300 horas e oferece segurança jurídica e ética aos profissionais.
“Isso significa que o auxiliar e o técnico de enfermagem têm direito de se especializar e crescer profissionalmente com respaldo institucional”, explicou.
Ele lembrou que existem 18 áreas de especialização para esses trabalhadores, abrangendo setores como centro cirúrgico, terapia intensiva, urgência e emergência, nefrologia, saúde mental, saúde da mulher, saúde da criança, saúde indígena, saúde da família, imunização, atendimento domiciliar e saúde do trabalhador.
Caproni também destacou a importância dos cursos de pós-técnico gratuitos como forma de combater a precarização e ampliar as oportunidades de crescimento profissional.
Combate à precarização e referência internacional
Durante sua palestra, o presidente do SinSaúdeSP alertou para tentativas de fraude trabalhista e para a substituição de auxiliares de enfermagem por outras funções, como cuidadores ou agentes comunitários, com o objetivo de reduzir custos e direitos.
“Isso não é evolução; é uma manobra para reduzir salários, retirar garantias previdenciárias e descaracterizar nossa profissão”, afirmou.
Para Caproni, os auxiliares e técnicos não ocupam papel secundário dentro das equipes de saúde.
“Eles não são coadjuvantes. São protagonistas da qualidade”, ressaltou.
Recém-chegado da 114ª Conferência Internacional do Trabalho da Organização Internacional do Trabalho (OIT), realizada em Genebra, na Suíça, onde participou como delegado titular, o dirigente destacou a importância da enfermagem brasileira no cenário internacional.
“Voltei de lá com uma certeza: o Brasil tem a maior força de trabalho da enfermagem de todas as Américas. Se investirmos em educação e especialização, seremos referência mundial”, declarou.
Ao encerrar sua participação, Caproni anunciou a realização, em agosto, do primeiro Seminário Nacional de Auxiliares e Técnicos de Enfermagem (Secatem) e convocou os educadores presentes a incentivar a busca pela qualificação profissional.
“Valorizar os trabalhadores da atividade-fim é investir em quem está na ponta do atendimento. E nós vamos honrar essa confiança”, concluiu.
Carta de Foz do Iguaçu
A leitura da Carta de Foz do Iguaçu marcou o encerramento do I Seminário Nacional de Educação em Enfermagem do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem. O documento consolida os principais encaminhamentos construídos ao longo dos quatro dias de debates e estabelece uma agenda estratégica voltada ao fortalecimento da formação em Enfermagem em todo o país.
As discussões realizadas durante o encontro reafirmaram a educação como um dos pilares para o desenvolvimento da profissão e para a valorização dos mais de 2,5 milhões de trabalhadores da Enfermagem brasileira.
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