
Um novo estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) revela que a desigualdade salarial entre homens e mulheres diminuiu apenas dois pontos percentuais desde 2018, mundialmente.
Apesar desse avanço, as mulheres continuam recebendo, em média, 18% menos que os homens, evidenciando a persistência de desigualdades estruturais no mercado de trabalho em escala global.
Além disso, a organização alerta que o ritmo atual de redução das diferenças salariais permanece insuficiente para alcançar a igualdade de gênero nas próximas décadas.
Igualdade de gênero
Segundo o levantamento, países de alta renda reduziram a disparidade salarial em 2,5 pontos percentuais, enquanto economias de renda média-baixa registraram queda de dois pontos.
Entretanto, nos países de renda média-alta, a redução alcançou apenas um ponto percentual, enquanto algumas nações apresentaram estagnação ou retrocessos nos indicadores de igualdade salarial.
Para o diretor-geral da OIT, Gilbert Houngbo, os resultados demonstram avanços insuficientes e reforçam a necessidade de acelerar políticas voltadas à igualdade de gênero no trabalho.
Desigualdades estruturais
A OIT também identifica fatores estruturais que sustentam essas diferenças, como a distribuição desigual das responsabilidades familiares e a concentração feminina em atividades economicamente menos valorizadas.
Consequentemente, muitas trabalhadoras enfrentam obstáculos para alcançar melhores salários, oportunidades de crescimento profissional e condições igualitárias, mesmo quando possuem qualificações semelhantes às dos homens trabalhadores.
Nesse contexto, a especialista sênior em gênero da OIT, Emanuela Pozzan, defende políticas públicas adaptadas às realidades locais para combater desigualdades persistentes no trabalho.
Mobilização e ações prioritárias
A divulgação dos dados integrou as atividades do Dia Internacional da Igualdade Salarial, durante evento realizado em Dublin, na Irlanda, pela Coligação Internacional pela Igualdade Salarial.
Além disso, o encontro retomou compromissos discutidos na Conferência Internacional do Trabalho de 2026, destacando a responsabilidade dos países na superação das desigualdades enfrentadas pelas trabalhadoras.
Para acelerar os avanços, a OIT recomenda transparência salarial, fiscalização rigorosa das leis de igualdade e investimentos em proteção social e políticas públicas de cuidados.
Por fim, a organização reforça que governos, empregadores e trabalhadores precisam ampliar o diálogo social e adotar medidas concretas para garantir remuneração justa e igualdade.
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