
Motoristas recebem a mensagem para votar a partir dessas placas afixadas ao longo da estrada em Raleigh, Carolina do Norte, em 3 de novembro de 2026. | AP
Com Donald Trump e seus seguidores do movimento MAGA tramando diariamente novas formas de reprimir o voto, grupos progressistas, liderados pelos organizadores do movimento No Kings (“Sem Reis”), pela União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) e pela presidente da Federação Americana de Professores (AFT), Randi Weingarten, estão mobilizando um programa para proteger os eleitores e seus direitos de votar e de ter seus votos apurados e os resultados divulgados de maneira justa — antes, durante e depois da votação.
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Alcançar esse objetivo exigirá muita gente e muito trabalho. Os ativistas terão de estar preparados para uma mobilização prolongada e se organizar com antecedência para denunciar rapidamente qualquer tentativa de repressão — e, se necessário, ir às ruas contra ela. Essa foi a orientação apresentada em uma reunião de uma hora pelo Zoom, em 22 de outubro.
Os participantes receberão um conjunto de materiais preparatórios, e a reunião será disponibilizada na internet. A Election Protection Coalition (Coalizão de Proteção Eleitoral), pelo site Election Protection, também oferecerá treinamento. Os organizadores da reunião em que os planos foram apresentados ressaltaram que mais pessoas são bem-vindas à iniciativa.
Enquanto o grupo se reunia, Trump apresentou mais um de seus planos para sabotar as eleições. Admitindo suas intenções, anunciou na última quinta-feira que entrará com uma ação judicial para anular a eleição no Alasca caso o candidato republicano ao Senado dos Estados Unidos seja derrotado.
“As pessoas entendem o que está em jogo nesta eleição”, afirmou Weingarten na abertura da reunião nacional pelo Zoom. “A melhor proteção para a eleição é uma votação decisiva”, que Trump e o MAGA não possam contestar legitimamente. Mas eles tentarão, disseram os organizadores. O resultado precisa ser “expressivo demais para ser manipulado”, declarou Weingarten, que também é professora de educação cívica. A AFT é uma das principais apoiadoras do No Kings.
Até agora, os apoiadores de Trump não conseguiram intimidar os eleitores a ponto de afastá-los das urnas, relataram dois organizadores de campo da ACLU, identificados apenas pelos primeiros nomes, Zac e Asha. Segundo eles, nos locais em que a votação antecipada já começou, o número de votos enviados pelo correio ou depositados em caixas de coleta de cédulas aumentou 51% nas áreas de atuação do No Kings, em comparação com 2021–2022.
Ainda assim, “ouvimos muitas manifestações de ansiedade” em todo o país, disse Asha. “O governo Trump e aqueles que negam a legitimidade das eleições empreenderam uma campanha coordenada para minar o processo eleitoral. Por isso, precisamos estar preparados para responder a acontecimentos que se desenrolam rapidamente, canalizar a indignação coletiva e construir força” para enfrentar “o que vier a seguir”. Ambos ressaltaram, porém, que isso deve ser feito de maneira não violenta.
“Precisamos de uma rede de pessoas que possam ser contatadas rapidamente e entrar em ação de imediato”, afirmou Asha, convidando os participantes a se cadastrarem e atuarem como voluntários ao longo de toda a reunião. Os participantes inundaram o chat e o campo de respostas com mensagens. E precisamos de uma ampla base de pessoas que compreendam o que aconteceu e o que está em jogo”, mesmo que o problema ocorra em apenas uma ou algumas jurisdições eleitorais. “E essa mobilização precisa ser de longo prazo.”
A proteção dos eleitores e de seus votos pode ser dividida em cinco fases, explicaram os dois organizadores, e os preparativos já começaram. A primeira consiste nos “preparativos finais para proteger o resultado” em cada área de votação, garantindo a segurança das cabines, das máquinas de votação, das urnas e de seu transporte até os locais de apuração.
Isso inclui também “o papel fundamental dos observadores eleitorais”, função para a qual pediram voluntários. As estimativas indicam que os Estados Unidos precisam de cerca de 800 mil observadores. Serão eles os primeiros a dar o alerta, ligando para a central nacional de proteção eleitoral, 1-866-OUR-VOTE, caso algo dê errado. Os atendentes dessa mesma central também fornecem informações sobre requisitos para votar, horários e assistência disponível em cada estado.
Os observadores identificarão obstáculos ao voto, documentarão problemas e encaminharão as pessoas à central, que contará com advogados voluntários de prontidão para lidar com dificuldades jurídicas, explicou Asha. Qualquer pessoa pode telefonar para relatar um obstáculo, incidente ou problema, acrescentou.
Após o treinamento, os observadores também terão informações específicas de cada local sobre questões como documentos de identificação exigidos dos eleitores, os limites ao redor dos locais de votação destinados a manter militantes partidários — e talvez tropas — à distância e a localização das caixas de coleta de cédulas.
“Quanto mais pessoas forem treinadas para compreender os direitos eleitorais, mais forte será esse esforço”, afirmou ela. “Essa rede impulsiona nossa democracia movida pela participação popular.”
Mas, depois que os votos são recolhidos e transportados aos locais de apuração, a proteção do processo envolve aspectos mais técnicos e novos riscos, apesar das salvaguardas existentes. Um ponto crítico é a certificação dos resultados, seção por seção, estado por estado e dentro dos prazos estabelecidos — etapa em que podem ocorrer interferências.
Zac, morador de Detroit, usou sua cidade e a votação presidencial de 2020 como exemplo do que pode dar errado. Embora ele não tenha entrado em detalhes, a junta eleitoral do condado de Wayne, onde fica Detroit, composta por quatro integrantes, inicialmente ficou dividida em dois votos a dois, conforme a filiação partidária, sobre a certificação dos resultados do maior condado de Michigan — e daquele com maior presença de minorias —, devido a supostas irregularidades técnicas. No entanto, ativistas locais organizaram, em pouquíssimo tempo, uma mobilização pacífica e divulgaram o impasse, levando os dois republicanos a mudar seus votos.
O então presidente Trump pressionou pessoalmente os integrantes da junta a restabelecer o impasse, o que invalidaria todos os votos do condado. Os dois republicanos tentaram voltar atrás, mas não conseguiram. Sem os votos do condado de Wayne, de forte maioria democrata, Trump teria vencido em Michigan.
Mesmo depois da conferência da apuração e da comparação dos votos com os mapas de contagem, ainda pode haver recontagens e contestações antes da certificação, acrescentaram os organizadores. Observadores e ativistas treinados, com o respaldo dos advogados, precisam permanecer atentos durante todo o processo. Os ativistas também podem aproveitar esse período para organizar e mobilizar colegas, familiares, amigos e vizinhos para se juntarem a eles na linha de frente, disseram Zac e Asha.
A certificação “é uma obrigação da autoridade pública responsável”, como a junta do condado de Wayne, alertou Zac. “Esse é um dos momentos em que um partido pode tentar alterar o resultado.” É necessária uma “mobilização imediata e ampla, independentemente da localização”, para dar o alerta em todo o país.
“Precisamos fazer com que todos parem e voltem sua atenção” para o que está acontecendo “e ajam” pacificamente. “Recusar a certificação não é uma opção”, disse Asha. “Mas intensificar” a pressão pública sobre autoridades relutantes “é uma parte importante.” Essa pressão, porém, precisa ser não violenta, afirmou Zac. Assim, também é “mais eficaz”.
Os dois não discutiram os mecanismos que Trump e o MAGA poderiam usar para manipular a eleição mesmo depois de os votos terem sido depositados. Entre eles estão o envio de tropas aos locais de votação para apreender urnas — embora ações judiciais possam impedir isso — ou a recusa dos dirigentes do Congresso em fim de mandato, controlado pelos republicanos, em dar posse a alguns ou a todos os democratas recém-eleitos em 3 de janeiro.
Mas Asha alertou os participantes para que estejam preparados. “Existem muitas salvaguardas que garantem resultados eleitorais precisos e honestos, sem deixá-los à mercê dos caprichos dos políticos”, afirmou. A central gratuita 1-866-OUR-VOTE é uma delas. Também há números gratuitos com prefixo 888 para atendimento em espanhol, em idiomas de comunidades asiático-americanas e em árabe.
Se todas as salvaguardas falharem ou forem desconsideradas, “assuma o compromisso” de agir, “para que, se for necessário, nos encontremos nas ruas”.
O premiado jornalista Mark Gruenberg chefia a sucursal de Washington, D.C., do People’s World. Também é editor do serviço de notícias sindicais Press Associates Inc. (PAI). Conhecido por sua habilidade como repórter, seu humor afiado e seu vasto conhecimento de história, Mark é um entrevistador sensível, mas contundente ao investigar grandes corporações e seus proprietários bilionários.
Texto traduzido do People´s World por Luciana Cristina Ruy.
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