PUBLICADO EM 13 de jul de 2026

Curso da OIT fortalece ação sindical na América Latina

Curso da OIT e CSA reúne lideranças em Montevidéu para debater estratégias de fortalecimento sindical diante das mudanças no mundo do trabalho

A ação sindical na América Latina é essencial para defender direitos trabalhistas e promover a igualdade e a democracia na região.

A ação sindical na América Latina é essencial para defender direitos trabalhistas e promover a igualdade e a democracia na região.

De 13 a 17 de julho, a CUT participará, em Montevidéu, no Uruguai, da etapa presencial do curso “Rumo a um Novo Contrato Social em uma América em Transformação – Desafios e Estratégias do Sindicalismo para Fortalecer e Organizar a Classe Trabalhadora diante da Crise” promovido pela CSA em parceria com a OIT.

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A formação reúne representantes sindicais para discutir estratégias diante das crises econômica, climática e tecnológica, dos impactos da digitalização e da crescente concentração do poder econômico global.

O programa busca fortalecer a atuação sindical na defesa do emprego, dos direitos trabalhistas, de salários dignos, da proteção social, da igualdade e da democracia em toda a América Latina.

O secretário-adjunto de Comunicação da CUT, Tadeu Porto, representa a Central nas atividades presenciais e participa dos debates sobre os desafios e as estratégias do movimento sindical no cenário internacional.

Antes do encontro em Montevidéu, os participantes concluíram uma etapa virtual, realizada entre 18 e 29 de maio, na qual compartilharam diagnósticos nacionais e experiências sobre os desafios enfrentados pelos trabalhadores e pelas organizações sindicais.

A fase presencial amplia os debates, promove o intercâmbio entre dirigentes de diferentes países e incentiva a construção coletiva de propostas para enfrentar as transformações no mundo do trabalho.

Novo contrato social

Um dos principais temas discutidos durante o curso é o conceito de um novo contrato social, entendido como instrumento para reorganizar direitos, deveres e relações de trabalho diante das profundas mudanças econômicas, sociais e tecnológicas.

A proposta defende a construção de novos pactos capazes de garantir trabalho decente, justiça social, proteção dos direitos e fortalecimento das instituições democráticas na região.

Entre os principais desafios estão o avanço da informalidade, a perda de direitos, a necessidade de uma transição energética justa e os impactos do modelo econômico neoliberal.

Segundo Tadeu Porto, a valorização excessiva da ideia do “trabalhador empreendedor” enfraquece a organização coletiva, reduz a capacidade de negociação e amplia o isolamento dos trabalhadores. Para o dirigente, é necessário recolocar o ser humano no centro das relações de trabalho.

“O capitalismo tende a igualar o valor do trabalho humano ao valor da máquina, tratando o indivíduo como se não tivesse alma, identidade ou singularidade. Vivemos isso de maneira crítica com as crises cíclicas do sistema, e este curso serve para pensarmos um novo contrato social diante das mudanças atuais”, afirma.

Experiências e propostas para fortalecer o sindicalismo

Durante a etapa virtual, os participantes também discutiram propostas como a criação de um Observatório Social do Trabalho latino-americano e o desenvolvimento de tecnologias voltadas ao fortalecimento da organização sindical na região.

A delegação brasileira apresentou experiências de negociação coletiva, campanhas nacionais e assembleias virtuais utilizadas para ampliar a participação e a consulta aos trabalhadores.

O grupo também analisou iniciativas internacionais, entre elas a chamada “nuvem de direitos” da China, ferramenta que oferece suporte tecnológico e jurídico aos trabalhadores organizados.

“O grande desafio é trazer diagnósticos e ideias factíveis que respeitem a autonomia e as peculiaridades de cada país, aproveitando as experiências bem-sucedidas da região”, afirma Tadeu Porto.

Após o encontro, a expectativa é transformar os diagnósticos e debates em ações concretas, adaptando experiências internacionais às diferentes realidades nacionais e preservando a autonomia das centrais sindicais.

Tadeu Porto reforça que esse é um dos principais objetivos da formação.

“O objetivo é trazer ideias factíveis, respeitando a autonomia e as peculiaridades de cada país, para que a implementação na prática seja possível”, conclui.

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