PUBLICADO EM 09 de jul de 2020
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Colunista Edson Dias Bicalho

Quando a crise passar

A pandemia de coronavírus colocou o Brasil numa situação crítica na saúde e na economia. Todos nós, em maior ou menor grau, fomos afetados. Mais de três meses após o início da quarentena e com muitos municípios iniciando a flexibilização, mesmo com número de novos doentes em alta, a realidade é triste para empresas e trabalhadores. Vários negócios não sobreviveram e muitos estão combalidos e com dificuldades de retomar a operação. Boa parte dos trabalhadores teve redução de renda e outra suspensão de contrato. E tantos outros perderam o emprego. Só em Bauru, foram 4 mil.

Como será a retomada da atividade produtiva, se haverá demanda crescente de consumo, qual percentual de empresas conseguirá sobreviver e como se comportará o mercado de trabalho, é uma incógnita. Tudo é muito incerto neste momento. No nosso setor, o químico, felizmente temos alguns segmentos, como o do plástico e do etanol, que estão voltando a produzir e com demanda. Temos várias empresas em Bauru e região que haviam suspendido contrato de trabalho ou reduzido jornada e salário, amparadas pela MP 936, recentemente convertida na Lei 14.020/2020, que estão voltando à operação como eram antes. E estão mantendo seus funcionários!

Mas tantas outras empresas, de vários setores, ainda estão sem condições de retomar. Para essas, a suspensão de contrato de trabalho ou a redução de jornada e salário, é o jeito de tentar saírem vivas da crise. Visando a manutenção de emprego e renda, a Lei 14.020/2020 prorrogou esse expediente até 31 de dezembro deste ano. Porém, não é até o final do ano para toda empresa, para todo trabalhador. A redução de salário e jornada ou suspensão de contrato de trabalho é permitida por, no máximo, 120 dias. Ou seja, a empresa e o trabalhador que aderiram à então MP 936 em abril, já utilizaram os 120 dias e não têm mais direito. Para essas empresas, partir de agora, é sobreviver ou reduzir funcionários ou, numa situação extrema, encerrar as atividades. E essa é a nossa grande preocupação.

Essas empresas que estão voltando ou vão voltar terão de arcar com a folha de pagamento. Será que vão conseguir vender seus produtos e serviços e pagar seus funcionários? Infelizmente, calculamos que o Brasil vai sair dessa crise de saúde com mais de 40 milhões de pessoas sem renda, entre desempregados e aqueles que tinham os seus pequenos negócios e fecharam. Vamos precisar de muita maturidade, tranquilidade entre os sindicatos, as empresas e o poder público para encontrar uma saída que amenize a crise, o sofrimento do povo e não deixar que tenhamos milhões e milhões a mais de miseráveis no Brasil.

Edson Dias Bicalho é presidente do STI Bauru e secretário geral da FEQUIMFAR

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