PUBLICADO EM 23 de maio de 2018
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Colunista Adilson Araújo

Em defesa dos sindicatos

Foi aprovada na última reunião da Direção Nacional da CTB a realização de uma campanha de fortalecimento das entidades sindicais. A iniciativa tem por objetivo ampliar a representatividade das entidades e deve ter por foco a difusão da consciência de classe e, concomitantemente, a sindicalização no local de trabalho.

Vivemos um momento de grave crise econômica, social e política, em que a ofensiva neoliberal atropela a democracia e a soberania nacional e tem como alvos principais o Direito do Trabalho, conquistado arduamente ao longo de mais de um século de lutas, e a organização sindical dos trabalhadores.

Agenda regressiva

Quem mais sofre as consequências da implementação da agenda ultraliberal são os que mais necessitam. A classe trabalhadora amarga um profundo revés. Estão acabando com os direitos consagrados na CLT e na Constituição Federal. Prevalecem na sociedade o ódio e o preconceito, disseminados pela mídia golpista, sentimentos que são aliados da ganância sem limites do patronato.

Este, a fim de forçar a redução do custo da mão de obra de forma a aumentar a sua cesta de lucros, tenta impor a todo custo, e infelizmente com sucesso, uma agenda regressiva que consiste na subtração de direitos históricos, temperada com iniciativas que contrariam a democracia e a soberania nacional.

Aqueles que reclamaram mudanças na legislação trabalhista alegaram a necessidade de modernizar as relações de produção, garantir a segurança jurídica e a geração de empregos. Mas o que estamos assistindo é a precarização, restrição das negociações coletivas, e, no quadro de crescente desemprego, os poucos empregos gerados no último período ou são por contrato parcial ou trabalho por conta própria e intermitente.

Precarização e produtividade

A elevada informalidade e o trabalho precário são tão preocupantes que para muitos empresários este já passou a ser a principal causa da redução da produtividade, o que configura mais um sério problema para o desenvolvimento econômico. A precarização caminha de mãos dadas com a queda de produtividade e a degradação do mercado de trabalho brasileiro, onde nada menos do que 27,7 milhões de pessoas estão sem emprego ou na condição de subocupados.

Tamanho desperdício de força de trabalho é um sinal de patologia econômica, uma vez que o trabalho é a força que agrega valor no processo de produção de mercadorias. O desemprego e a subocupação não são apenas uma inaceitável tragédia social, significam também prejuízos bilionários para a economia nacional e não se deve esperar retomada da produção sem crescimento da oferta de empregos.

O cenário é dramático. Para a classe trabalhadora não há caminho alternativo ao da resistência. E nesse contexto a unidade e solidariedade são palavras-chave. Sem levar isso em consideração corremos sério risco de sucumbir. Ademais, se é verdade que a crise pode gerar oportunidades, a reestruturação sindical pode ser o fator decisivo para uma repaginada na organização sindical.

Organizar as bases

Sindicatos fortes, capazes de inovar, criar e se fazer mais próximos dos anseios e expectativas da classe trabalhadora, são mais do que necessários. É o melhor remédio contra a extinção da Contribuição Sindical compulsória, embutida na contrarreforma trabalhista para debilitar a resistência da nossa classe contra o retrocesso.

Cresce a necessidade de responder aos novos desafios fortalecendo a nossa organização no local de trabalho. Potencializar novas ações, sobretudo na comunicação, gerando maior interação com a classe, é decisivo para nossa sobrevivência.

Acreditamos ser este o caminho necessário para juntos, barrarmos o retrocesso e resgatar nossos direitos. Isso será possível com a destacada participação de cada uma das entidades filiadas à CTB. As entidades, parte integrante da campanha nacional, terão todas as peças afixadas à sua logomarca.

Trata-se de um importante investimento. Para a CTB a centralidade política do trabalho de base é o principal desafio para o enraizamento e fortalecimento do sindicato, que deve estar organizado em cada canto dos locais de trabalho.

A conscientização será o fator decisivo para elevarmos a nossa representação e a nossa representatividade. Ampliar o quadro de sócios vai potencializar a nossa força em contraposição à desregulamentação do trabalho. Constitui-se, por consequência, tarefa imperativa de primeira ordem.

Vamos juntos arregaçar as mangas, trabalhar incansavelmente em prol dos interesses da classe trabalhadora e de um Brasil democrático, justo e soberano. O caminho para superação das atuais dificuldades exigirá posicionamento firme frente aos desafios da batalha política-eleitoral. A eleição de parlamentares vinculados ao campo democrático e popular será definidora na resistência contra o golpe.

Com certeza estamos indicando o caminho certo. Fortalecer os Sindicatos é a nossa melhor proteção contra a ofensiva das forças conservadoras.

Vamos à luta, até a Vitória!

Adilson Araújo, bancário, Presidente Nacional da CTB

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