PUBLICADO EM 12 de Maio de 2020
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Colunista Ivone Silva

Desmonte da Caixa bloqueia ajuda

Após o desajuste e a demora do governo em criar imediatamente uma renda básica emergencial para a população mais vulnerável sobreviver dignamente neste período da pandemia, o movimento sindical, em parceria com diversas entidades da sociedade civil, conquistou a aprovação de um auxílio mínimo por três meses. 

Sem dúvida, houve uma demora para a aprovação da medida e para o pagamento para a população, provocada por negligência e incompetência do governo, que não tem compromisso com os trabalhadores.

Para receber o benefício, o trabalhador precisa fazer o cadastro no sistema da Caixa, que envia os dados para a Dataprev, empresa responsável por identificar quem tem o direito a receber o auxílio emergencial de R$ 600. Esses dados são cruzados com mais de 33 milhões de registros no Cadastro Nacional de informações Sociais (CNIS), que após análise envia a indicação das famílias com direito a receber o auxílio para o Ministério da Cidadania – que faz a homologação dessas pessoas e envia novamente para a Dataprev. Somente nesse momento, a Caixa é autorizada a fazer os pagamentos. Ou seja, a Caixa é somente responsável pela operação do pagamento do auxílio emergencial.

Há inúmeras exigências promovidas pelo governo, como a aprovação de até dois trabalhadores que podem receber o benefício por família para quem está no Cadastro Único ou recebe Bolsa Família; estar com o CPF em estado regular, entre outras.

Desde o início da pandemia, o Comando Nacional dos Bancários exige dos bancos que mantenham o home office para os trabalhadores e se comprometeram a reforçar a limpeza, e higiene nas agências, disponibilizando máscaras,  conforme orientação do Ministério da Saúde. Também reivindicamos organização das filas e dentro das instituições financeiras, para manter a proteção de trabalhadores e clientes.

Nossa luta é diária para a ampliação das campanhas de comunicação sobre o auxílio emergencial, principal fator de aglomerações fora e dentro de agências; seguranças desarmados para organizar as filas; as proteções de acrílico nos caixas; e os equipamentos de proteção individual (EPI) para todos empregados.

Também exigimos a manutenção do contingenciamento para a entrada nas agências, mesmo com as filas nas portas; a necessidade de respeitar a jornada dos empregados; a testagem de todos os bancários, como política de prevenção; e a efetivação da campanha de vacinação da gripe e da H1N1.

O Sindicato está ao lado do trabalhador, e sabe da gravidade do momento que vivemos. Estamos mobilizados e exigimos que cada bancário tenha condições de trabalho adequadas, especialmente para os que estão na linha de frente do atendimento à população. É preciso agendamento dos atendimentos nas agências, com orientação necessária antecipadamente.

O descaso do governo com os bancos públicos foi anunciado desde sua campanha, que já alertava para descompromisso com BB, Caixa e BNDES. Nos últimos 12 meses o crédito oferecido pelos bancos públicos teve aumento de apenas 1,4%, muito pouco se comparado às necessidades do país.

É preciso maior agilidade do governo em conceder o pagamento do auxílio emergencial para a população mais pobre, com o mesmo interesse e rapidez que têm beneficiado os grupos empresariais que o elegeram. A descentralização do auxílio emergencial deveria ter sido feita com auxílio dos municípios e também dos demais bancos, públicos e privados. Essa situação de superlotação nas agências não é culpa dos empregados – que estão dando um verdadeiro exemplo de compromisso com a sociedade, mas preocupados e adoecendo por excesso de trabalho – e sim do governo, que promove o desmonte, e dificulta ao máximo o pagamento do auxílio para a população colocando todos em risco de contágio.

Ivone Silva é presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo

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