PUBLICADO EM 14 de abr de 2026

Centrais sindicais lançam nova Pauta da Classe Trabalhadora em Brasília

A Marcha das Centrais Sindicais lançará a Pauta da Classe Trabalhadora como base para futuras discussões políticas no Brasil.

Pauta da Classe Trabalhadora será lançada na Marcha nacional, unindo centrais sindicais em Brasília.

Pauta da Classe Trabalhadora será lançada na Marcha nacional, unindo centrais sindicais em Brasília.

Em um movimento de unidade, as principais centrais sindicais do país — CUT, Força Sindical, UGT, CSB, Nova Central, CTB, Intersindical e Pública — apresentam nesta terça-feira, 15 de abril, durante a Marcha da Classe Trabalhadora, em Brasília, a Pauta da Classe Trabalhadora – CONCLAT 2026–2030. O documento reúne as prioridades para o próximo quadriênio e servirá de base para o diálogo com os poderes Executivo e Legislativo .

A mobilização deve reunir representantes das centrais e sindicatos de todo o país e marcará a entrega formal da pauta ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

A agenda está estruturada no eixo “desenvolvimento com trabalho decente” e combina diagnóstico da conjuntura, balanço recente e propostas para enfrentar desigualdades, precarização e desafios do mundo do trabalho.

Redução da jornada está entre prioridades

Entre as principais bandeiras para mobilização imediata em 2026, o movimento sindical destaca a proposta de redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução de salários, e o fim da escala 6×1.

A pauta inclui ainda:

  • valorização do salário mínimo, com meta de atingir 60% do salário médio até 2030;
  • regulamentação do trabalho por plataformas digitais, com garantia de direitos;
  • combate à pejotização e às fraudes trabalhistas;
  • inclusão do combate ao feminicídio nas negociações coletivas;
  • fortalecimento da negociação coletiva e das entidades sindicais.

Segundo o documento, essas medidas são essenciais para enfrentar a precarização e reorganizar as relações de trabalho no país .

Documento aponta transformações globais e riscos ao trabalho

A pauta parte de um diagnóstico de mudanças no cenário internacional, marcado por transformações tecnológicas, crise climática e reorganização econômica global.

O texto alerta que a expansão da inteligência artificial e das plataformas digitais, quando desregulada, pode eliminar postos de trabalho e ampliar formas precárias de contratação. Também defende a adoção de uma “transição justa”, que combine políticas ambientais com geração de empregos de qualidade.

No plano político, o documento associa o período recente à reconstrução democrática e social iniciada em 2023, após retrocessos observados entre 2016 e 2022 .

Projeto propõe reindustrialização e mudança na política econômica

Para o período de 2027 a 2030, a pauta apresenta um conjunto de propostas estruturais que apontam para um novo modelo de desenvolvimento.

Entre os principais eixos estão:

  • reindustrialização, com base na política Nova Indústria Brasil (NIB);
  • ampliação de investimentos em ciência, tecnologia e inovação;
  • reforma tributária progressiva, incluindo taxação de grandes fortunas;
  • fortalecimento de empresas públicas e setores estratégicos;
  • proteção da produção nacional e incentivo às cadeias produtivas.

O documento também defende mudanças na política econômica, com destaque para a redução da taxa básica de juros e o enfrentamento do rentismo, apontado como fator de concentração de renda e obstáculo ao crescimento.

Direitos sociais e redução do custo de vida entram na pauta

Além das questões produtivas, o texto amplia o debate para direitos sociais e condições de vida da população.

Entre as propostas estão:

  • ampliação do acesso à moradia;
  • implementação da tarifa zero no transporte coletivo;
  • fortalecimento do SUS;
  • universalização do saneamento básico;
  • expansão de creches e escolas em tempo integral.

A pauta também enfatiza políticas de igualdade, inclusão produtiva e combate à discriminação no mercado de trabalho.

Movimento sindical busca fortalecer representação e negociação

Outro ponto central do documento é o fortalecimento do movimento sindical. As centrais defendem mecanismos de financiamento definidos em assembleia, combate a práticas antissindicais e ampliação da negociação coletiva como instrumento de regulação das relações de trabalho.

A proposta inclui adaptar a representação sindical às novas formas de contratação e evitar a fragmentação da organização dos trabalhadores.

Documento articula projeto de país

A Pauta da Classe Trabalhadora – CONCLAT 2026–2030 posiciona o movimento sindical não apenas como defensor de direitos, mas como formulador de um projeto nacional de desenvolvimento.

O documento propõe articular crescimento econômico, inovação, sustentabilidade ambiental e justiça social, tendo como eixo a geração de empregos de qualidade e a redução das desigualdades.

Segundo as centrais, o período até 2030 será decisivo para consolidar avanços, enfrentar desafios estruturais e redefinir o papel do trabalho no desenvolvimento do país.

Veja aqui a Pauta da Classe Trabalhadora – CONCLAT 2026–2030

Pauta da Classe Trabalhadora – CONCLAT 2026–2030

Pauta da Classe Trabalhadora – CONCLAT 2026–2030

Leia também:

Centrais sindicais lançam marca unificada do 1º de Maio

Centrais lançam marca unificada do 1º de Maio

COLUNISTAS

QUENTINHAS