
Lula na Psulidta/Foto: Ricardo Stuckert
Milhares de pessoas ocuparam a Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (11), em uma manifestação em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Batizado de Marcha Pela Democracia, o ato contou com a presença do candidato e teve entre suas principais bandeiras a defesa dos direitos dos trabalhadores e o fim da escala de trabalho 6×1.
A mobilização foi organizada de forma independente por movimentos sociais e comunidades de fãs de artistas internacionais, como Lady Gaga, BTS, Beyoncé e Taylor Swift. Também participaram da convocação torcidas organizadas de clubes de futebol, incluindo Palmeiras e Corinthians, movimentos estudantis e representantes da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo.
A manifestação ocorreu em um momento decisivo da disputa presidencial, às vésperas do segundo turno, marcado para 25 de outubro, e de votações importantes no Congresso Nacional.

Manifestação na Paulista/Foto: Fábio Kasseb
Fim da escala 6×1 ganha destaque na manifestação
Antes de participar do ato, Lula conversou com jornalistas e destacou a importância da votação sobre o fim da escala 6×1, prevista para quarta-feira (14), no Senado Federal. Segundo o presidente, a votação permitirá que a população conheça o posicionamento dos partidos sobre a redução da jornada e a ampliação do descanso semanal dos trabalhadores.
“Vai se provar como é que o partido do meu adversário [o PL] vai votar: se ele vai querer manter os trabalhadores trabalhando seis dias e descansando um, ou se ele vai votar para o trabalhador ter os dois dias de descanso”, afirmou.
Questionado sobre a tentativa da oposição de adiar a votação para depois do segundo turno, Lula criticou a iniciativa e defendeu que os parlamentares assumam publicamente suas posições.
“Já está marcada a data da votação, portanto, a única coisa que a oposição pode fazer é a seguinte: demonstrar se vão ter coragem de votar contra ou a favor”, declarou.
A proposta de redução da jornada de trabalho e de substituição da escala 6×1 por um modelo com dois dias de descanso semanal tem mobilizado centrais sindicais, sindicatos e movimentos sociais em todo o país. A reivindicação ganhou espaço também na campanha eleitoral, colocando os direitos trabalhistas no centro do debate entre os candidatos à Presidência.
Lula critica proposta de cortes de gastos de Flávio Bolsonaro
Outro tema abordado pelo presidente foi o chamado “tesouraço”, proposta de corte de despesas públicas anunciada por seu adversário no segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL).
Lula comparou a iniciativa às políticas de austeridade adotadas pelo presidente argentino Javier Milei e afirmou que medidas dessa natureza poderiam comprometer direitos sociais e atingir principalmente a população de baixa renda.
“O tesouraço dele possivelmente seria o mesmo tesouraço do Milei, ou seja, cortar direito do povo pobre, cortar direito do aposentado, cortar direito daqueles que precisam ganhar um pouco mais, e levar o povo outra vez para a situação de miséria neste país”, afirmou.
O presidente defendeu a manutenção das políticas de proteção social e criticou a possibilidade de ajustes fiscais que impliquem redução de direitos e benefícios da população.
Segurança pública também entra na pauta
Lula abordou ainda a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, cuja tramitação deverá avançar no Congresso Nacional nesta semana.
Segundo o presidente, a proposta permitirá ampliar a participação do governo federal no enfrentamento à criminalidade e abrirá caminho para a criação do Ministério da Segurança Pública.
“Para o povo trabalhador, para a comunidade, para o território, proteção; para os bandidos, prisão”, declarou, ao defender uma atuação mais direta da União na área.
Discurso no MASP destaca educação e críticas ao governo Bolsonaro
Em discurso realizado sobre um carro de som em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP), Lula voltou a criticar o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente a condução da pandemia de covid-19.
O presidente responsabilizou a administração anterior por decisões que, segundo ele, agravaram a crise sanitária, incluindo o descrédito às recomendações científicas e o incentivo ao uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença.
Lula também destacou avanços na educação e na ampliação do acesso ao ensino superior, apontando a formação profissional e o desenvolvimento tecnológico como prioridades para um novo mandato.
“Quando nós chegamos na presidência, em 2003, o Brasil tinha apenas 4,8 milhões de pessoas com diploma universitário no mercado de trabalho. Hoje, o Brasil já tem 26 milhões, e nós queremos 50 milhões, 100 milhões”, afirmou.

Apoiadores ocuparam Avenida Paulista na tarde do sábado (29) em ato que encerrou a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à presidência da República e de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo. Foto: Ricardo Stuckert
Presidente convoca eleitores a comparecer às urnas
A abstenção eleitoral também recebeu atenção durante o discurso. Lula lembrou que 21,08% dos eleitores deixaram de votar no primeiro turno e fez um apelo para que a população participe da votação de 25 de outubro.
O presidente dirigiu uma mensagem especial às pessoas com mais de 70 anos, para as quais o voto é facultativo, destacando a importância da participação eleitoral na definição dos rumos do país.
“Se essa pessoa não quer votar por ela, ela tem filho, filha, neto, bisneto e tem a pátria dela para cuidar”, declarou.
Mobilizações se espalham pelo país
Além da manifestação na Avenida Paulista, apoiadores de Lula realizaram atos em diversas capitais e cidades brasileiras neste domingo.
Em Maceió, manifestantes se reuniram na Praça Sete Coqueiros, na orla da capital alagoana. No Rio de Janeiro, houve mobilizações em Copacabana e em Icaraí, bairro de Niterói, na região metropolitana.
Em Belo Horizonte, a Caminhada Rosa reuniu apoiadores da candidatura petista e participantes de movimentos em defesa dos direitos das mulheres. Em Goiânia, a concentração ocorreu na Praça Universitária.
Salvador também registrou manifestações na orla e no Pelourinho, enquanto Brasília teve atividades em feiras e ruas da capital federal.
Além do apoio à reeleição de Lula, os atos incorporaram a reivindicação pelo fim da escala 6×1, reforçando a presença da pauta trabalhista nas mobilizações políticas que antecedem o segundo turno das eleições presidenciais.
Com Agência Brasil
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