
Comércio e setor público puxam desemprego (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
A taxa de desocupação no Brasil subiu para 6,1% no trimestre móvel encerrado em março de 2026, alta de 1,0 ponto percentual em relação ao trimestre anterior (5,1%). Apesar do avanço, o índice permanece 0,9 ponto abaixo do registrado no mesmo período de 2025 (7,0%).
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Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada pelo IBGE. Mesmo com a elevação recente, trata-se da menor taxa de desemprego para trimestres encerrados em março desde o início da série histórica, em 2012.
O número de pessoas desocupadas chegou a 6,6 milhões, crescimento de 19,6% no trimestre — o equivalente a mais 1,1 milhão de brasileiros em busca de trabalho. Na comparação anual, no entanto, houve queda de 13,0%, com redução de 987 mil pessoas nessa condição.
O total de ocupados no país foi estimado em 102 milhões, com recuo de 1,0% frente ao trimestre anterior (menos 1 milhão de trabalhadores), mas ainda 1,5% acima do registrado um ano antes.
Comércio e setor público puxam queda do emprego
Nenhum dos dez grupamentos de atividade analisados apresentou crescimento no número de ocupados na comparação trimestral.
As principais quedas ocorreram:
- no comércio (–1,5%, ou menos 287 mil postos),
- na administração pública (–2,3%, ou menos 439 mil) e
- nos serviços domésticos (–2,6%, ou menos 148 mil).
Juntos, esses setores eliminaram mais de 870 mil vagas no período.
Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, houve avanço em áreas como:
- informação,
- comunicação e atividades financeiras (3,2%) e a
- dministração pública (4,8%).
Já os serviços domésticos registraram retração de 3,6%.
Segundo a coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy, a queda do emprego está associada a fatores sazonais, como a desaceleração do comércio após o fim de ano e o encerramento de contratos temporários no setor público.
Informalidade recua e renda bate novo recorde
A taxa de informalidade caiu para 37,3% da população ocupada, o equivalente a 38,1 milhões de trabalhadores. O índice é inferior tanto ao trimestre anterior (37,6%) quanto ao mesmo período de 2025 (38,0%).
O número de empregados com carteira assinada no setor privado permaneceu estável no trimestre, em 39,2 milhões, mas cresceu 1,3% na comparação anual. Já os trabalhadores sem carteira recuaram 2,1%, totalizando 13,3 milhões.
A massa de rendimento real dos trabalhadores atingiu novo recorde, chegando a R$ 374,8 bilhões — alta de 7,1% em relação ao ano anterior. O rendimento médio também avançou e alcançou R$ 3.722, com crescimento de 1,6% no trimestre e de 5,5% em um ano, já descontada a inflação.
De acordo com o IBGE, o aumento da renda está relacionado à redução da participação de trabalhadores informais e de ocupações com menores salários, elevando a média geral dos rendimentos.
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