O Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários cobrou, na última quinta-feira (15), medidas urgentes da Fenaban para combater o adoecimento crescente entre trabalhadores do sistema financeiro.
Os dirigentes sindicais alertaram que afastamentos por transtornos mentais cresceram significativamente entre 2012 e 2024, impulsionados pela pressão excessiva por metas abusivas.
De acordo com dados apresentados durante negociação nacional permanente, transtornos mentais responderam por 55,9% dos afastamentos acidentários no subsetor bancário durante o ano passado.
A coordenadora do Comando Nacional, Juvandia Moreira, afirmou que modelos de gestão adoecedores ampliam rivalidades internas, sobrecarga profissional e insegurança entre bancários diariamente.
“Esses são dados do INSS, com base em informações da plataforma Smartlab, confirmam que o padrão de afastamentos por adoecimento que antes era restrito ao bancário se difundiu para todo o ramo financeiro e isso está ligado aos efeitos colaterais de um ambiente organizacional com metas abusivas, que sobrecarregam o trabalhador e estimulam a rivalidade e não a colaboração saudável”, ponderou.
Enquanto isso, a também coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro destacou que trabalhadores reivindicam qualidade de vida, bem-estar e ambientes saudáveis, comprometidos atualmente pela hipervigilância e assédio moral.
“Os trabalhadores querem qualidade de vida, bem-estar, o que não está sendo possível de serem alcançados por causa das condições de trabalho, da gestão por metas abusivas, sobrecarga e hipervigilância”, pontuou.
Reivindicações dos trabalhadores
Durante a reunião, representantes sindicais defenderam levantamento epidemiológico completo, acesso aos documentos do Programa de Gerenciamento de Riscos e combate efetivo aos riscos psicossociais.
Além disso, o movimento sindical propôs um “Pacto pela Saúde”, fundamentado nas normas regulamentadoras sobre prevenção, ergonomia, saúde mental e proteção dos trabalhadores bancários.
Metas negativas
O secretário de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Sales, denunciou as chamadas “metas negativas”, aplicadas quando clientes desistem de produtos contratados anteriormente nos bancos.
De acordo com Mauro Sales, trabalhadores sofrem punições com advertências e descomissionamentos, além de enfrentarem medo constante de demissões, fechamento de agências e perda salarial.
O dirigente também denunciou pressões contra bancários afastados por problemas médicos, convocados para avaliações internas antes mesmo da conclusão dos tratamentos necessários.
Além disso, Mauro Sales afirmou que essas práticas dificultam acesso aos benefícios previdenciários e comprometem o período adequado de recuperação dos trabalhadores adoecidos.
Socorro adequado pelos bancos
Na mesa de negociação, Juvandia Moreira relatou o caso de uma bancária do Banco do Brasil, em Ji-Paraná, vítima de grave crise ansiedade.
Segundo a dirigente, o banco não encaminhou imediatamente a trabalhadora para atendimento médico adequado, comunicando apenas familiares para comparecerem até a agência bancária.
Diante disso, representantes sindicais cobraram que bancos cumpram a legislação trabalhista e garantam socorro imediato aos trabalhadores durante emergências médicas nos locais laborais.
Resposta da Fenaban e encaminhamentos
Por outro lado, a Fenaban aceitou discutir a aplicação da NR-1 e demais reivindicações durante a Campanha Nacional Unificada da categoria bancária deste ano.
Entretanto, os bancos mantiveram divergência sobre avaliações médicas internas aplicadas aos trabalhadores afastados pelo INSS, prática criticada duramente pelas entidades sindicais representativas.
Leia também: Panasonic garante PLR de R$ 10 mil após mobilização



