PUBLICADO EM 15 de abr de 2021
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Colunista Maria Euzilene Nogueira, Leninha

Uma data a ser celebrada também por elas

Celebramos em 21 de abril o Dia do Metalúrgico, em homenagem a Tiradentes, patrono da categoria metalúrgica, mártir da Inconfidência Mineira e símbolo da história de luta pela Independência do Brasil. É neste sentido, de resistência, luta e liberdade, que as trabalhadoras metalúrgicas devem também celebrar esta significativa data!

Metalúrgico é o trabalhador que exerce uma ou mais atividades laborais no amplo segmento de indústrias de metais ferrosos e não ferrosos. E nós, trabalhadoras metalúrgicas, sabemos o quanto foi difícil para as que nos antecederam pleitear um posto de trabalho neste setor, pois as atividades remuneradas foram por muitos anos destinadas somente aos homens.

No Brasil, no século 20, em meio ao crescimento da indústria, no emergir das discussões de gênero e no interesse contínuo do capital de “pagar menos por mais”, as mulheres brasileiras dão um passo primordial.

Elas rompem com o confinamento imposto pelo patriarcalismo, deixam a condição de apenas servir e procriar e passam a ocupar uma porcentagem considerável dos postos de trabalho ofertados pelas indústrias.

Além do sonho de trabalhar em uma metalúrgica, a realidade encontrada pelas mulheres nas fábricas é dura, com ambientes de trabalho insalubres, jornadas exaustivas e baixa remuneração. As trabalhadoras ainda padecem com a invisibilidade, a desconfiança e a hostilidade de seus gestores e, muitas vezes, de seus próprios companheiros de trabalho.

Mas o que são estes desafios para aquelas que buscavam autonomia econômica e liberdade social?

Mesmo sobrecarregadas, somando as atividades remuneradas com as atividades domésticas e os cuidados com a família, as trabalhadoras metalúrgicas não perdem tempo. Não se entregam por conta da fadiga nem tão pouco para as diferentes formas de assédios.

Elas vão à luta, por qualificação, justiça e direitos, unem-se aos movimentos de mulheres e aos seus Sindicatos, com a consciência crítica de que é preciso ampliar a representatividade feminina, não só na sociedade em geral, mas em suas próprias entidades de classe.

Finalizo lembrando que as trabalhadoras metalúrgicas promoveram em 1979 o 1º Congresso da Mulher Metalúrgica. Desde então, elas têm mobilizado mais e mais mulheres para unirem-se às lutas em suas entidades, se empoderarem, qualificarem-se e assumirem o papel de agentes sociais nos diferentes pilares que fomentam a Democracia do Brasil.

Pois esta Democracia só será plena com ampla participação de mulheres e homens, de forma igualitária, respeitosa e emancipadora.

Maria Euzilene Nogueira, Leninha, diretora do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes e responsável pelo Departamento da Mulher Metalúrgica e do Projeto Mais Livros

As opiniões expostas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do Rádio Peão Brasil

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