PUBLICADO EM 09 de mar de 2018
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Colunista João Guilherme Vargas Netto

A tragédia dos acidentes de trabalho

Está em curso uma guerra feroz no mundo do trabalho brasileiro e o registro das baixas nos últimos cinco anos (até 2017) foram quase quatro milhões de Comunicados de Acidente de Trabalho (CATs) com 14.412 pessoas mortas. Estas trágicas informações, divulgadas por Manoel Ventura no Globo do dia 6 de março têm como origem relatório do Ministério Público do Trabalho e acrescentam no Inferno de Dante em que sofrem os trabalhadores brasileiros mais esta sangueira.

Além das mortes, mutilações e ferimentos, os acidentes de trabalho custaram, no período, mais de 26 bilhões de reais à Previdência Social. O procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury, atribui estas despesas (que deveriam ser muito maiores por que há muita subnotificação) ao descaso das empresas que transferem para a Previdência o ônus do seu próprio não cumprimento das regras mínimas de saúde e segurança do trabalho.

As maiores vítimas são os trabalhadores com mais baixos salários e o principal agente causador dos acidentes continua sendo as máquinas e os equipamentos, responsáveis também pelos casos mais graves. Cortes, feridas, fraturas e contusões somam 53% dos casos.

Em uma visão produtivista as perdas gerais para a economia com os acidentes de trabalho foram, no ano passado, equivalentes a 264 bilhões de reais, informa também o MPT.

O que faz o desmoralizado ministério do Trabalho, com a fiscalização desmantelada, as normas regulamentadoras burladas e a Fundacentro entregue às baratas?

O movimento sindical e alguns sindicatos em particular, auxiliados pelo DIESAT (Departamento Intersindical de Estudos de Saúde e Ambiente de Trabalho), têm denunciado sistematicamente esta catástrofe e reivindicado medidas capazes de diminuir sua letalidade e seus riscos que agravam, com luto, sangue e desespero, a caótica situação de milhões de trabalhadores.

Nesta luta difícil, presto homenagem ao metalúrgico Carlos Aparício Clemente, do Espaço de Cidadania de Osasco, um batalhador persistente e incansável.

João Guilherme Vargas Netto é consultor sindical

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