PUBLICADO EM 26 de nov de 2021
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Colunista José Raimundo de Oliveira

Minha sincera opinião sobre Sérgio Moro

Em relação ao ex-juiz Sérgio Moro eu serei aqui ser bastante sincero: não entregaria a esse moço um prédio de apartamento, por pequeno e simples que fosse para, na condição síndico, ele administrar. Agora imagine o comando de um país como o Brasil.

Como juiz, Moro foi um completo desastre, pois a serviço não sei de quais forças e, junto a uma renca de procuradores federais irresponsáveis, destruiu setores importantes da indústria brasileira e sendo por isso também responsável pelo agravamento da crise econômica instalada. Foram “cerca de 4,4 milhões de postos de trabalho perdidos no país de 2014 a 2017, e uma perda de investimentos de 3,6% do PIB”, segundo estudo feito pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Isso em função de suas nefastas decisões.  Não se tratou da falência de fabriquetas de fundo de quintal, mas do que havia de melhor na engenharia de serviços, indústria naval, etc.

Ainda no afã de punir o PT e tirá-lo da disputa política criou barreiras à Petrobrás, facilitou a entrega de informações estratégicas da empresa ao exterior e agora está sendo privatizada na bacia das almas pelo governo de plantão que ele, Moro, ajudou a eleger e do qual foi ministro da (in) Justiça.

Como consequência dessa atitude falsamente anticorrupção em relação à Petrobrás hoje os combustíveis estão sendo vendidos internamente com seu valor dolarizado obedecendo a tal paridade de preço internacional (PPI). Um imenso prejuízo aos consumidores e alegria dos acionistas da empresa dentro e fora do Brasil. Segundo a imprensa em agosto último seu “conselho de administração aprovou o pagamento de R$ 31,6 bilhões em proventos, divididos entre dividendos e juros sobre o capital próprio (JCP) aos acionistas“.

Havendo corrupção nas empresas acusadas e na política então que se punisse os responsáveis, não as empresas. Os acusados fizeram delação, salvaram seus ricos patrimônios e o prejuízo ficou com os trabalhadores hoje desempregados. Outrora engenheiros, hoje entregadores de comida e motoristas de aplicativos. No fundo todas as acusações que foram feitas ao grupo que compôs a Operação Lava-jato de que almejava poder estão se concretizando.

Moro não possui compreensão do Brasil (não entende de economia, de questão social, de meio ambiente, nem de relações internacionais). Eu diria que nesse aspecto ele é igual ou até pior do que Bolsonaro a quem, repito, foi decisivo para se eleger presidente da República.

Ademais, está claro que os integrantes da Operação Lava-jato, com Moro à frente, não pretendiam combater efetivamente a corrupção, como foi cantado em prosa e verso pela imprensa hegemônica e seus áulicos. Como dito aqui outras vezes o que incomoda a elite brasileira e parte da classe média, não é a corrupção, mas política de inclusão que promova justiça social. No caso, tratou-se de um projeto de poder que passou pela perseguição à esquerda visando não somente tirá-la da disputa política, mas eliminá-la, promover a extrema-direita e ocupar espaço político.

As recentes filiações de Moro, Dallagnol & cia., a um partido político e a intenção de disputar mandato eletivo mostram claramente esse intento, além da obtenção de foro privilegiado contra eventual prisão pelos desmandos e ilegalidades cometidas.

Nada do que foi feito pelos integrantes da Operação Lava-jato primou pela imparcialidade. Está por demais evidente que se tratou de ação política militante utilizando o Judiciário como ferramenta. Os fatos estão aí para provar esta afirmação.

Quem quer Moro presidente da República é uma elite irresponsável, mesquinha, parasitária, sem um projeto de nação, que olha para seu próprio umbigo que, em 2018, financiou a eleição de Jair Bolsonaro. E uma parcela de eleitores, classe média e também baixa renda, de visão equivocada, senão fascista, que se espelha na elite, detesta a democracia e cegamente abraça essas candidaturas acreditando que vai se dar bem ainda que a maioria continue ferrada. Ela própria, inclusive, como estamos vendo neste momento crucial da vida nacional.

José Raimundo de Oliveira,  é historiador, educador e ativista social.

As opiniões expostas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do Rádio Peão Brasil

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  • Juracy Ferreira Santos

    Pois é, amigo Zé Raimundo, estes irresponsáveis da Republiqueta de Curitiba, jamais qualquer coisa além de moleques embevecido com a perspectiva de poder absoluto a serviço de interesses quaisquer. Não há a menor dúvida que para a obtenção desse poder estavam dispostos a servir a qualquer senhor, seja o diabo, o narcotráfico ou Uncle Sam.

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