PUBLICADO EM 08 de maio de 2021
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Colunista Francisca Rocha

As mães do Brasil continuam acreditando que tudo pode melhorar

Mãe não tem limite

É tempo sem hora

Luz que não apaga

          (Para Sempre, de Carlos Drummond de Andrade)

Este meu artigo tem uma motivação especial. E apesar de o Dia das Mães ter uma conotação comercial, inventado pelo capitalismo, é uma data a ser reverenciada. Ser mãe é muito mais que “sofrer no paraíso” como diz o dito popular. Principalmente num país dominado pelo ódio de classe, pela violência contra negras e negros, contra a classe trabalhadora, contra os mais pobres.

Começo dedicando às mães do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, e nas vítimas dessa chacina efetuada pelo braço armado do Estado. “Polícia para quem precisa de polícia” cantam os Titãs. Mas quem precisa de uma polícia que entra nas favelas, invade casas e a mão cega executa pessoas já rendidas. O governador do Rio de Janeiro está com as mãos sujas de sangue de seu próprio povo para quem ele pediu votos recentemente.

Precisamos mudar essa triste realidade. Chega dos mais pobres serem números em estatísticas sangrentas. Reformar as polícias é fundamental. Elas precisam se adaptar à democracia e agir dentro da lei e obedecer a Constituição. A banda podre tem que ser extirpada.

Mas ser mãe vai muito além disso. Mães solo, que são pais também. Mãe que cuida, que acompanha o desenvolvimento do filho e não quer vê-lo morto, muito menos de maneira tão cruel e covarde como vem acontecendo no país.

As mães brasileiras querem paz, segurança, educação pública de qualidade, o SUS fortalecido, melhorado. As mães querem ver seus filhos crescerem sem medo, em segurança, em paz. Longe da criminalidade e distante da parte da polícia que mata. Mata pobre, mata sem julgamento, mata por vingança, mata por matar.

Afinal ser mãe significa superar todos os obstáculos, todos os medos e conhecer uma força que não se conhecia antes de se tornar mãe e ter a incumbência de criar os filhos, muitas vezes sem ajuda de ninguém.

Acertando e errando num amor incondicional e eterno. E assim evoluir, aprender e reaprender a sorrir a cada novo passo dado pela sua cria para o futuro e para a autonomia, Ser mãe é muito mais do que sofrer no paraíso. Ser mãe é poder abraçar o filho vivo e feliz.

Francisca Rocha é secretária de Assuntos Educacionais e Culturais do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), secretária de Saúde da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação (CNTE) e dirigente da Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil, seção São Paulo (CTB-SP).

As opiniões expostas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do Rádio Peão Brasil

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