PUBLICADO EM 07 de out de 2026

Audiência no SMC reforça inclusão e cumprimento de cotas

Audiência no SMC aprova Carta de Curitiba e reúne trabalhadores e instituições pela inclusão e cumprimento das cotas para pessoas com deficiência

Audiência no SMC reforça inclusão e cumprimento de cotasO Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) e a Força-PR realizaram audiência pública para fortalecer a inclusão das pessoas com deficiência no trabalho.

Além disso, representantes do Ministério Público do Trabalho, Secretaria Estadual do Trabalho, lideranças sindicais e organizações sociais participaram do encontro realizado em Curitiba, Paraná.

Durante o debate, os participantes discutiram cumprimento das cotas, adaptação dos postos, processos de contratação, acessibilidade e oportunidades efetivas de crescimento profissional nas empresas.

A Lei de Cotas determina que empresas com 100 trabalhadores ou mais reservem entre 2% e 5% das vagas para pessoas com deficiência contratadas.

Neste ano, a legislação completou 35 anos como instrumento fundamental para ampliar oportunidades, combater barreiras e promover autonomia, cidadania e dignidade pelo trabalho formal.

Carta de Curitiba

Ao final, os participantes aprovaram a Carta de Curitiba, reunindo intenções, ações e ferramentas destinadas a ampliar efetivamente a inclusão das pessoas com deficiência profissionalmente.

A iniciativa também reforçou que contratar representa apenas uma etapa, pois empresas precisam assegurar acessibilidade, permanência, desenvolvimento profissional e ambientes livres de discriminação aos trabalhadores.

O debate ganha importância diante das dificuldades nacionais para cumprir integralmente a legislação, cenário também destacado pelo Ministério Público do Trabalho durante a audiência realizada.

Participantes defendem inclusão efetiva

“A iniciativa é muito importante desde que ela tenha uma sequência depois nos resultados de tudo que foi proposto junto às empresas para que melhore a quantidade e a qualidade das pessoas com deficiência dentro do mercado de trabalho. Bom, tendo toda essa visão que a gente teve hoje, a conversa que teve dentro do sindicato como um todo, é bem válida e que colocamos aí e fazemos o processo andar da melhor maneira possível”, afirmou José Claro Melo, delegado de fábrica na Volvo e deficiente visual.

“É importante a gente discutir sobre vários pontos de inclusão e entender, ter mais acesso às informações, porque a gente precisa de acessibilidade. Então, no caso sobre as entrevistas, a gente precisa disponibilizar também as entrevistas para eles terem oportunidade de entrar e diminuir as barreiras para que a gente consigar contratar mais pessoas”, disse Everton Machado, delegado sindical na Bosch e deficiente auditivo.

“Quando você vai fazer a inclusão, vai contratar os trabalhadores com deficiência, você precisa ter algumas percepções, qual o profissional que você está querendo, como é que você vai contratar, de que maneira, aonde vai fazer essa colocação desse profissional, aquilo que ele vai estar recebendo dos seus valores, dos seus benefícios, e tudo isso é importante para que você possa incluir esse trabalhador no seu local de trabalho na hora da sua contratação”, destacou Edson dos Anjos, diretor do SMC e deficiente físico.

“Nós temos uma dificuldade nacional de cumprimento dessa legislação e precisamos entender o que acontece e buscar caminhos para avançar nesse sentido. A experiência que o Sindicato dos Metalúrgicos tem para compartilhar, a nosso ver, tem grande valor e pode impactar de forma muito positiva no cumprimento da legislação”, afirmou Rúbia Canabarro, procuradora do Ministério Público do Trabalho da 9ª Região.

“Quero aqui reforçar a importância desse evento, tão importante para tratar da inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, falar que a Secretaria de Estado está à disposição para ajudar nessa intermediação, dessa mão de obra, tanto da pessoa com deficiência quanto de outros grupos, mas também nas tratativas com as empresas, para que a gente possa contribuir nessa inserção”, afirmou Suelen Glinski Rosa, diretora de Fomento e Renda da SETR.

Trabalhador deve ser reconhecido como profissional

“Outra coisa, não se pode anunciar vaga no mercado de trabalho para contratar pessoa com deficiência, tem que contratar profissional de trabalho. Fazer a publicação da vaga chamando profissional para a área tal, para a área B. Mesmo esse profissional tendo algum tipo de deficiência, mas que ele seja visto como um profissional, como um trabalhador como qualquer outro”, ressaltou Osvaldo Silveira, coordenador do Departamento de Saúde e Segurança do SMC.

“É muito importante ter esse trabalho junto à pessoa com deficiência, que ela seja capacitada para desempenhar as funções que as empresas têm em aberto e também que seja acompanhado esse processo de inclusão e de contratação. Tanto na área social que essa pessoa vai estar tendo essa cobertura, esse acompanhamento e monitoramento do projeto”, disse Marcia Ribeiro de Miranda, gerente do Coletivo Inclusão.

Por fim, o encontro destacou educação profissional, acessibilidade e enfrentamento das barreiras atitudinais como elementos indispensáveis para transformar contratação formal em inclusão efetiva nos locais produtivos.

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