PUBLICADO EM 22 de set de 2026

Trabalhadores protestam na Alemanha contra cortes de empregos na indústria automotiva

Mobilização convocada pelo IG Metall reuniu funcionários de montadoras e fornecedores em mais de 280 atos pelo país

Dezenas de milhares de pessoas protestaram em toda a Alemanha na segunda-feira para salvar empregos na indústria automobilística, inclusive em Wolfsburg. O sindicato IG Metall contabilizou um total de cerca de 175.000 participantes. Imagem: reprodução de vídeo da NDR

Dezenas de milhares de pessoas protestaram em toda a Alemanha na segunda-feira para salvar empregos na indústria automobilística, inclusive em Wolfsburg. O sindicato IG Metall contabilizou um total de cerca de 175.000 participantes. Imagem: reprodução de vídeo da NDR

Milhares de trabalhadores da indústria automotiva foram às ruas na Alemanha, na segunda-feira (21), para protestar contra os cortes de empregos e cobrar medidas de proteção às fábricas instaladas no país. A mobilização ocorreu em meio ao agravamento da crise enfrentada pelas montadoras alemãs e à nova redução das projeções financeiras da Volkswagen.

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Funcionários da Volkswagen, Mercedes-Benz, BMW, Audi, Porsche e de grandes fornecedores participaram de mais de 280 manifestações realizadas em diferentes regiões do país. Os atos integraram o Dia Nacional de Ação da Indústria Automotiva, convocado pelo IG Metall, um dos maiores sindicatos industriais da Europa.

Em suas redes sociais, o sindicato afirmou que os trabalhadores deram uma forte demonstração de unidade em defesa dos empregos, das fábricas e do futuro industrial da Alemanha.

“A indústria automotiva e o setor de fornecedores enfrentam grandes desafios. Mas quem responde a esses desafios com programas de austeridade, redução de pessoal e discussões sobre fechamento de fábricas está desistindo de nós”, declarou o IG Metall.

Segundo a entidade, a mobilização mostrou que os trabalhadores permanecem unidos, independentemente da empresa ou da região em que atuam.

Sindicato responsabiliza gestões empresariais

Em outra publicação, o IG Metall criticou as direções das grandes montadoras por demorarem a responder às mudanças tecnológicas e econômicas enfrentadas pelo setor.

“Quem passou anos ignorando as mudanças necessárias não pode agora obrigar os trabalhadores a pagar a conta”, afirmou o sindicato.

A entidade reconheceu que a indústria automobilística está sob forte pressão, mas ressaltou que a crise não surgiu repentinamente.

“As administrações dos grandes grupos empresariais ignoraram essa evolução. Isso é uma falha de gestão, não uma falha dos trabalhadores”, acrescentou.

A presidente do IG Metall, Christiane Benner, reforçou que a mobilização envolve toda a cadeia produtiva. “Trata-se de salvar esta indústria e os empregos nas montadoras, nos fornecedores e nas empresas prestadoras de serviços de desenvolvimento”, declarou.

Durante a manifestação realizada na sede da Volkswagen, em Wolfsburg, Benner afirmou ainda que “os trabalhadores não causaram esta crise”. A dirigente também defendeu que a União Europeia amplie as tarifas sobre automóveis importados da China.

Christiane Benner, presidente do IG Metall.

Christiane Benner, presidente do IG Metall.

Setor já perdeu milhares de empregos

A indústria automobilística alemã eliminou aproximadamente 100 mil postos de trabalho desde 2019, segundo a Associação Alemã da Indústria Automotiva (VDA). Entre os fornecedores de autopeças, foram fechadas cerca de 74 mil vagas entre 2019 e 2025, o equivalente a quase um quarto da força de trabalho do segmento.

Outros cortes estão previstos. A Volkswagen apresentou um plano de reestruturação que poderá atingir cerca de 100 mil trabalhadores em todo o mundo. A BMW pretende eliminar aproximadamente 8 mil vagas, enquanto a Mercedes-Benz reduz a produção na Alemanha e amplia suas operações na Hungria, onde os custos são menores.

Na sexta-feira (18), a Volkswagen reduziu sua previsão de margem operacional para, no máximo, 1%. Anteriormente, a expectativa era de pelo menos 4%. A empresa atribuiu a revisão à deterioração de seus negócios na China, aos custos da reestruturação e a uma baixa contábil de € 6 bilhões relacionada à Porsche.

As ações da montadora chegaram a cair 2,6% na segunda-feira, depois de terem recuado mais de 5% na sexta. No acumulado do ano, os papéis registram perda de aproximadamente 27%.

Mudanças no mercado pressionam montadoras

A crise reflete transformações profundas no modelo industrial alemão. Durante décadas, as montadoras do país se beneficiaram da energia relativamente barata, da abertura dos mercados internacionais e da elevada demanda chinesa.

Esse cenário mudou. A guerra entre Rússia e Ucrânia afetou o abastecimento e elevou os custos energéticos, enquanto o crescimento econômico perdeu força na China. Ao mesmo tempo, fabricantes chinesas, como a BYD, passaram a oferecer veículos elétricos e híbridos mais baratos e ampliaram sua presença no mercado europeu.

Em julho, as marcas chinesas alcançaram 11% do mercado automotivo da Europa. As empresas alemãs também enfrentam os altos investimentos necessários para a eletrificação da frota e as barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos, especialmente prejudiciais à Porsche e à Audi.

“As mudanças no mercado são profundas e duradouras. Não temos tempo a perder”, declarou o diretor financeiro da Volkswagen, Arno Antlitz.

O governo alemão anunciou um fundo de € 500 bilhões destinado à infraestrutura, além de incentivos aos investimentos e medidas para diminuir os custos da eletricidade e os impostos empresariais. Entretanto, parte das iniciativas levará anos para produzir resultados, enquanto as montadoras já cortam vagas, reduzem a produção e transferem investimentos.

Nova mobilização está marcada

O IG Metall anunciou uma nova jornada nacional de mobilização para o dia 26 de setembro. Os trabalhadores voltarão às ruas em defesa de um Estado social forte, da seguridade social, de boas condições de trabalho e da proteção dos direitos trabalhistas.

Para o sindicato, os trabalhadores não podem ser obrigados a pagar pela crise do setor. A mobilização busca impedir que a transição tecnológica e a disputa internacional por mercados sejam utilizadas como justificativa para demissões em massa e fechamento de fábricas.

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