
Miguel Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de SP, comanda a assembleia
Os trabalhadores e trabalhadoras metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes aprovaram, nesta sexta-feira (28), a pauta de reivindicações da Campanha Salarial 2026. A decisão foi tomada em assembleia realizada na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes. O documento será agora encaminhado aos grupos patronais para o início das negociações coletivas.
Com data-base em 1º de novembro, a campanha é realizada de forma unificada pelos sindicatos filiados à Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo. Ao todo, 54 entidades participam da mobilização, representando cerca de 700 mil trabalhadores no estado.
Entre as principais reivindicações aprovadas estão reajuste salarial com aumento real, manutenção das conquistas e direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho e contribuição assistencial/negocial para fortalecer a estrutura sindical e as negociações coletivas.
A pauta também incorpora temas relacionados às condições de trabalho e à qualidade de vida da categoria, como igualdade salarial entre homens e mulheres, promoção do cuidado compartilhado, saúde mental no ambiente de trabalho, combate à misoginia e ao feminicídio, além da redução da jornada de trabalho sem redução salarial e do fim da escala 6×1.
A assembleia foi coordenada pelo presidente do Sindicato, Miguel Torres, que também preside a Força Sindical e a Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM), e pelo secretário-geral da entidade, Jorge Carlos de Morais, o Arakém. Os dirigentes Ester, Pedrinho e o tesoureiro José Luiz também participaram, destacando a importância da união e da mobilização dos trabalhadores durante a campanha.
O assessor técnico do Sindicato José Osmair Polisel, o Jop, apresentou dados sobre o cenário econômico e os resultados das negociações salariais no país. Segundo os números apresentados, até junho deste ano, 87% das categorias que negociaram salários conquistaram reajustes acima da inflação.
Eleições também entram no debate
A assembleia também defendeu a importância do voto consciente nas eleições gerais de 4 de outubro. Os trabalhadores irão às urnas para escolher presidente da República, governador, senadores, deputados federais e deputados estaduais.
O Sindicato destacou a necessidade de ampliar a representação dos trabalhadores nos parlamentos e eleger representantes comprometidos com os direitos sociais e trabalhistas. A entidade também defendeu políticas públicas de valorização da indústria nacional, geração de empregos de qualidade, inclusão social, defesa da democracia e da soberania nacional.
Memória da resistência à ditadura
Durante a assembleia, foi exibido um vídeo sobre a perseguição sofrida pelo Sindicato durante a ditadura militar (1964-1985).
Em 2 de julho deste ano, durante sessão plenária especial realizada em Brasília, a Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania reconheceu o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes como anistiado político.
Na ocasião, o Estado brasileiro pediu oficialmente desculpas pelas perseguições e violências praticadas contra a entidade e seus dirigentes durante a ditadura e reconheceu a contribuição do Sindicato para a resistência e o processo de redemocratização do país.
Outro vídeo exibido durante a assembleia reuniu mensagens das diretoras Marta, Ester, Renata e Lucilene, integrantes do coletivo Mulheres em Ação, formado também pelas diretoras Cristina e Alsira, atualmente licenciada.
A mensagem destacou o Agosto Lilás, campanha de prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres, que neste ano também marca os 20 anos da Lei Maria da Penha.
Pressão pelo fim da escala 6×1
A redução da jornada de trabalho sem redução salarial e o fim da escala 6×1 também tiveram destaque na assembleia. O Sindicato reforçou a mobilização para pressionar o Senado Federal pela aprovação da proposta.
“A classe trabalhadora merece e precisa ter mais tempo para o descanso, para o lazer e para o convívio familiar”, afirmou Miguel Torres.
Segundo o dirigente, o movimento sindical entra agora em uma etapa decisiva de pressão sobre os senadores para garantir a aprovação da medida.
Neste domingo (30), estão previstas mobilizações em diversas cidades do país com o lema “Vota, Senado”. Em São Paulo, o ato será realizado a partir das 9h, no Vão Livre do Masp, na Avenida Paulista.
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