PUBLICADO EM 30 de abr de 2020
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Colunista Sergio Luiz Leite (Serginho)

1º de Maio em defesa da democracia e pela vida!

 

Historicamente, o Dia do Trabalhador é uma data de comemoração, reflexão e de luta. Em 2020, não será diferente

Neste momento de pandemia do novo coronavírus e a necessidade de isolamento social, novos desafios foram impostos à classe trabalhadora. Observamos queda na atividade econômica e entraves no sistema de saúde. Esta crise é mundial, mas ela recai, principalmente, sobre os trabalhadores da América Latina. O Brasil está perdendo milhares de vidas e outras tantas são colocadas em risco. Somado a isso, a taxa de desemprego disparam e crescem as ameaças aos direitos e à democracia.

Diante deste cenário, com quem os trabalhadores podem contar? Com um governo que precariza as condições de vida da população e ameaça a democracia? Que induz o povo à morte? O Congresso Nacional vinha cumprindo um papel importante no enfrentamento da crise, no entanto, a Câmara dos Deputados, reafirmando sua postura predominantemente anti trabalhista, optou por aprovar a MP 905 da “carteira verde-amarela”, que apenas aprofunda a reforma trabalhista sob a mesma falsa promessa de geração de empregos. Felizmente, as votações não foram concluídas no Senado.

Resta à classe trabalhadora nossa própria luta! Nesta frente, a unidade do movimento sindical se mobiliza em ações no sentido de proteger os empregos e a renda para que todos os trabalhadores possam cumprir as medidas de prevenção à Covid-19 e os cuidados com a saúde.

Os Químicos, de forma unitária, têm cumprido o seu papel, atuando ativamente e fortalecendo todas as negociações pela manutenção de emprego e renda dos trabalhadores. Nas indústrias químicas do estado de São Paulo conquistamos uma convenção coletiva marco na preservação de empregos e salários, nas indústrias farmacêuticas negociamos a recomposição das perdas inflacionárias e a renovação de todas as cláusulas sociais, e na fabricação do álcool estamos em meio ao processo negocial lutando por assegurar as melhores condições aos trabalhadores do setor.

A solidariedade entre os trabalhadores tem se apresentado como o verdadeiro “remédio” contra a pandemia. Os sindicatos e as organizações sociais, que atuam tanto nas periferias brasileiras, levando alimentos e produtos de higiene às pessoas mais vulneráveis, quanto no parlamento, viabilizando programas econômicos de alto impacto social, precisam estar à frente do processo de reconstrução da economia e da democracia do país, sobretudo após o período mais crítico de disseminação da doença.

Em tempos em que o companheirismo e a união se fazem mais presentes do que nunca, nosso desejo é que vençamos essa pandemia buscando um mundo mais justo e igual para todos. Sabemos que as relações no mundo do trabalho também precisam se modernizar, tendo em vista inclusive as novas formas de trabalho que se generalizam, tais como, teletrabalho e home office. Mas o equilíbrio de forças deve ser o pressuposto para o avanço das relações entre capital e trabalho. Para que isso se concretize precisamos lutar contra a ganância dos grandes grupos econômicos que concentram a renda nas mãos de poucos e geram o aumento da pobreza do restante da população.

Saúdo as Centrais Sindicais pela iniciativa de realizar um 1º de Maio virtual, politicamente amplo, com participação de líderes políticos de diversos poderes e tendências, cantores, artistas e líderes religiosos, explicitando a fundamental importância de unidade em defesa da democracia neste momento especialmente frágil que vivem as instituições brasileiras.

As forças democráticas devem apontar como metas para os próximos períodos uma retomada da atividade econômica via manutenção e criação de postos de trabalho, bem como pela recuperação da renda dos trabalhadores e fortalecimento da democracia. Não acredito que o governo Bolsonaro tenha condições de realizar esta tarefa primordial. O único bem maior que Bolsonaro poderia fazer pelo país seria declarar sua renúncia ao cargo de presidente, do contrário, amargaremos um longo e rasteiro debate – repleto de manobras e disputas de interesses – pelo seu impeachment.

Sergio Luiz Leite, Serginho é Presidente da FEQUIMFAR e 1º secretário da Força Sindical

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