PUBLICADO EM 08 de maio de 2018
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Colunista Zoel Garcia Siqueira Siqueira

Juros altos aumentam a desigualdade social

Adam Smith é o mais importante teórico do liberalismo econômico. Sua obra mais conhecida, ‘Uma investigação sobre a natureza e a causa da riqueza das nações’, continua referência para economistas até hoje.

Ele acreditava que a iniciativa privada deveria agir livremente, com pouca ou nenhuma intervenção estatal, sendo defensor do ‘free banking’, ou sistema bancário livre.

Para ele, a competição livre entre os fornecedores resultaria na queda dos preços e em constantes inovações tecnológicas, no afã de baratear o custo da produção e vencer os competidores.

Esse escocês de nascimento, que viveu entre 1723 e 1790, era também contra o monopólio, que é a exploração de uma atividade econômica por um ou poucos grupos.

Dito isso, trago para reflexão o fato de que a maior parte do mundo ocidental, em especial o Brasil, é governada por grupos defensores do liberalismo econômico de Adam Smith.

Não vejo, porém, reclamações desses grupos sobre o monopólio no Brasil do sistema bancário. Aqui, 80% do setor pertencem a dois grupos, Itaú e Bradesco.

Onde está o ‘free banking’ brasileiro? Por que esses bancos cobram juros estratosféricos? A população é roubada pelos juros no cheque especial, cartão de credito e empréstimos consignados.

Além dessas duas empresas privadas, fazem parte do monopólio o Banco de Brasil e Caixa Econômica Federal, que, embora públicos, não incentivam o desenvolvimento econômico e social. Só pensam em lucros.

Uma das falhas do governo popular que dirigiu o país por 13 anos foi não mexer nesse sistema. Os juros abusivos veem aumentando cada vez mais a desigualdade social.

Zoel Garcia Siqueira é professor, formado em sociologia e diretor financeiro do Sindserv (sindicato dos servidores municipais) Guarujá

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