PUBLICADO EM 15 de fev de 2018
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Colunista João Guilherme Vargas Netto

Afinar as violas

Quando o calendário é invadido por acontecimentos tão grandiosos como o carnaval o analista fica desorientado pela falta de assunto em sua seara própria. Isto pode ser constatado em todas as mídias em que a carência de novidades condena-o ao rame-rame, à invencionice e às falsidades.

A política – a institucional e a dos grupos – fica obscurecida por especulações do tipo “acho-que”.

Em minha seara sindical o fenômeno é duplamente expressivo pela falta de assuntos relevantes e pelo desinteresse costumeiro.

Um grande acontecimento, expresso no enredo e na apresentação da Tuiuti, escola vice-campeã do carnaval do Rio, foi o ataque frontal à deforma trabalhista, confirmando em samba o descrédito dela e a constatação de seus efeitos nefastos para os trabalhadores.

A escola realçou o simbolismo getulista da carteira de trabalho ecoando no tempo os comícios trabalhistas do campo do Vasco, em São Cristóvão.

Durante este período, por recorrência, as tarefas do movimento sindical continuam as mesmas: trabalhar, no corpo a corpo com os deputados e senadores, para a retirada da deforma previdenciária da pauta congressual, resistir nas empresas e na Justiça do Trabalho à aplicação patronal da lei trabalhista celerada e intensificar as campanhas de sindicalização e ressindicalização, obtendo até mesmo resultados vantajosos para a caixa dos sindicatos.

Durante o carnaval e principalmente nos carnavais antecipados de alguns blocos e dos aposentados esses temas marcaram presença. No calorão os foliões abanaram-se com os leques distribuídos pelos sindicatos com as fotos de deputados favoráveis à deforma previdenciária para que sejam castigados nas urnas de outubro.

E, de permeio ao longo carnaval, categorias importantes como os rodoviários de São Paulo e os metalúrgicos do ABC confirmaram em assembleias a palavra de ordem de greve de protesto no dia 19 de fevereiro.

Passadas as alegrias do carnaval é preciso afinar as violas da unidade e da resistência para tocar a vida.

João Guilherme Vargas Netto é consultor sindical

 

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